O ministro Lavrov quer uma reparação da Ucrânia após a série de ataques pessoais do presidente russo
Parlamentares russos pediram neste domingo que a Ucrânia demita o seu ministro das Relações Exteriores, após ele chamar o presidente russo, Vladimir Putin, de “idiota”, durante um protesto violento do lado de fora da embaixada da Rússia em Kiev. O ministro das Relações Exteriores em exercício, Andriy Deshchytsia, tentava convencer manifestantes a não usar a violência no ato de sábado, durante o qual a bandeira russa foi rasgada, veículos virados e pedras e ovos atirados contra a embaixada.
– Devemos cumprir as nossas obrigações internacionais, incluindo defender o direito da Rússia de ter uma embaixada na Ucrânia – afirmou ele aos manifestantes revoltados pelo ataque separatista a um avião militar de carga ucraniano que deixou 49 mortos no leste do país.
Mas provocado pelos manifestantes, ele acrescentou:
– Eu estou dizendo que eu sou contra vocês protestarem? Eu sou a favor de vocês protestarem. Estou pronto para ficar aqui e protestar com vocês e dizer: ‘Rússia, saia da Ucrânia’. 'Sim, Putin é um idiota, sim' – continuou ele. Os manifestantes responderam entoando a frase.
O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, numa conversa telefônica com o ministro do Exterior francês, “expressou a sua revolta com o fato de as autoridades de Kiev terem permitido o protesto do lado de fora da embaixada russa”, disse o Ministério num comunicado. Lavrov protestou na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa por conta da manifestação violenta na embaixada. Os Estados Unidos e a União Europeia condenaram o protesto. Alexei Pushkov, presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da Câmara baixa do Parlamento russo, disse que o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, deveria demitir Deshchytsia.
Ajuda da Otan
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) prepara medidas para ajudar a Ucrânia a se defender no impasse com a Rússia e precisa adaptar-se ao fato de que Moscou a vê como uma adversária, disse o secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, em entrevista publicada neste domingo. Kiev acusa Moscou pela revolta separatista no leste da Ucrânia, onde o número de mortos aumentou no sábado depois que rebeldes derrubaram um avião de transporte militar ucraniano. Enquanto a Otan deixou claro não ter planos para se envolver militarmente na Ucrânia, a organização enviou avião e embarcações para o leste da Europa. Rasmussen disse considerar medidas de longo prazo para garantir a proteção de aliados.
– Precisamos nos adaptar ao fato de que a Rússia agora nos considera como seus adversários – declarou Rasmussen ao diário conservador espanhol El País.
Ele disse que a Otan está preparando um pacote de ajuda para apresentar aos países membros no fim deste mês, incluindo apoio para a Ucrânia reformar o seu setor de defesa e modernizar as suas forças armadas.
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