O representante do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, Martin Schaefer, disse nesta quarta-feira que a data da nova reunião sobre a Ucrânia do “quarteto de Normandia” (Alemanha, França, Rússia e Ucrânia) não está prevista.
Mais cedo, o chanceler russo Sergei Lavrov comunicou que a Rússia tinha proposto realizar um encontro ao nível de ministros das Relações Exteriores dentro dos próximos 12 dias.
No entanto, para Shaefer, há pouca vontade política de efetuar esse encontro.
- Quando for relevante do ponto de vista político, quando surgir a vontade necessária, será a hora de realizar encontros a diversos níveis. Eu acho que cada um dos quatro governos acompanha os acontecimentos, e quando aparecer uma posição comum sobre a necessidade de um encontro e a compreensão do nível que tal encontro deverá ter, então vamos poder informar sobre isso - disse o representante do ministério alemão em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira.
Schaefer assegurou que a Alemanha reconhece a importância do cessar-fogo alcançado no Leste da Ucrânia.
Donbass
Nesta semana, a discussão no parlamento ucraniano sobre uma emenda à Constituição, proposta pelo presidente Pyotr Poroshenko, levou à violência e uma morte.
A emenda, aprovada pela maioria dos deputados, prevê formalmente um estatuto especial para o Donbass (territórios no Leste do país, perto da fronteira com a Rússia), região que não aprova o novo governo de Kiev, formado na sequência do golpe de Estado de fevereiro de 2014.
Contudo, o próprio Poroshenko (que esteve ausente do parlamento durante a votação e os protestos) comentou que a sua emenda era só “uma manobra” para retirar o Donbass da “influência russa”, obrigando esta região a convocar eleições locais conforme as leis ucranianas e restringindo a possibilidade de organizar referendos sobre a independência.
A reforma constitucional é uma das exigências dos Acordos de Minsk, principal documento que rege o processo de paz na Ucrânia.
Kiev deve aceitar a autonomia
No entanto, dois deputados de outro país membro do quarteto, a França, não concordam que Kiev deva “ficar responsável” pelo Donbass.
Jacques Myard, deputado da Assembleia Nacional francesa pelo departamento de Yvelines (centro do país), disse à Sputnik que não adianta só culpar Kiev ou Donetsk (capital da região de Donetsk e da autoproclamada República Popular de Donetsk, que ocupa parte de Donbass).
- O problema não pode ser resolvido sem a assinatura de um acordo de longo prazo que conceda autonomia a Donbass. Mais do que isso, Kiev deve aceitar esta autonomia - disse Myard.
Ressaltando que “a Crimeia pertence à Rússia, e isso está fora de dúvida”, o deputado comentou ainda que “a situação é diferente com Donbass”:
- Aqui a questão é de uma autonomia, dentro da Ucrânia, com a proteção dos direitos da minoria russa, da minoria das pessoas que falam o russo, e Kiev deve manter a política de paz em relação deles.
Já Nicolas Dhuicq, deputado pelo departamento de Aube (norte da França) e membro da Comissão dos Assuntos Externos do parlamento francês, acha que o conflito no Leste da Ucrânia é nutrido pelos EUA, cujos planos “coincidem completamente com os planos da Alemanha e do Império Austro-Húngaro nos tempos da Primeira Guerra Mundial [que previam] a criação de um Estado nacional artificial chamado Ucrânia”.
- Além disso, eu não confio na presidência do senhor Poroshenko. Eu falo dele e de algumas pessoas do entorno dele que parecem só fomentar a escalada do conflito - disse o deputado.