A Gazprom, maior produtora de gás do mundo, fornece combustível para clientes europeus
Caíram mal, para os países europeus, as declarações do líder neonazista ucraniano Dmitri Yarosh, integrante do grupo radical Setor de Direita, um dos mais influentes junto ao novo governo de facto, em curso no país. Yahosh declarou que, em caso de conflito com a Rússia, seu movimento privaria as companhias russas da possibilidade de vender petróleo e gás, destruindo as respectivas infraestruturas. Segundo as autoridades da Crimeia, já foram fixados incidentes em torno do sistema de transporte de gás. Um grupo de indivíduos, disfarçados de guarda-fronteiras da Ucrânia, tentou danificar um gasoduto na Crimeia, mas as forças de autodefesa do Estado independente abortaram o ato de sabotagem.
O gás que a Rússia exporta para os países europeus, entre eles a Alemanha e a França, movimenta indústrias e impulsiona a economia europeia. Sem o combustível, o sistema de calefação das residências europeias também seria prejudicado. O gás captado das reservas em território russo, se não utilizado, permanece no solo e não significa uma perda patrimonial para o governo do presidente Vladimir Putin.
Para evitar quaisquer danos à economia, devido à possível introdução de sanções contra a Rússia, a gigante estatal russa Gazprom negociava, nesta segunda-feira, o apoio dos clientes europeus, oferecendo desconto sobre gás, segundo notícia publicada no diário russo Vedomosti. A edição afirma que a realização das negociações sobre os termos dos contratos com a Gazprom foi confirmada por representantes de várias empresas europeias.
A Gazprom não comentou esta informação, mas a possibilidade de introdução das sanções contra a Rússia, devido aos eventos na Crimeia, estava na pauta do encontro de ministros das relações exteriores, realizada nesta segunda-feira, em Bruxelas. As sanções ocorrem por conta do apoio russo à libertação da Crimeia, uma região autônoma da Ucrânia que, na véspera, optou por anexar seu território à Rússia. Os resultados do referendo, promovido na Crimeia, evidenciam que 96,77% dos habitantes da península, que haviam participado dele, votaram à favor da incorporação do território autônomo à Rússia. A informação foi divulgada por Mikhail Malyshev, chefe da comissão encarregada da promoção do referendo.
– O número de votos dos participantes do referendo geral da Crimeia que tinham votado a favor da reintegração com a Rússia na qualidade de sujeito da Federação Russa é igual a 1 233 002, o que corresponde a 96,77% dos votantes – informou Malyshev. De acordo com os dados à sua disposição, o índice de comparecimento nos locais de votação foi igual a 83,1%.
Sem a Crimeia, a economia ucraniana sofre um pesado baque, o que enfraquece ainda mais a posição do governo de facto, após as declarações beligerantes dos líderes da extrema direita. Para deixar o quadro ainda mais negativo para os golpistas, o referendo na Crimeia foi considerado "absolutamente legítimo", segundo afirmou Bela Kovacs, deputado do Parlamento Europeu pela Hungria e membro do partido húngaro Jobbik, quem chegou à Crimeia como observador internacional.
– Este referendo é absolutamente legítimo. Na democracia, o povo tem direito de definir seu futuro – disse Kovacs.
Em apoio ao referendo se pronunciaram também o observador finlandês Johan Backman, o vice-presidente do parlamento da Sérvia, Nenad Popovic, e outros observadores.
– Evidentemente, reconhecemos o direito das pessoas de expressarem sua opinião – afirmou o deputado comunista Charalambos Angurakis, integrante do Parlamento Europeu pela Grécia.
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