A Ucrânia admitiu ter exportado 12 mísseis para o Irã e seis para a China, e agora está sendo pressionada por outros países a explicar como essas transações ocorreram, disse o jornal Financial Times nesta sexta-feira.
O procurador-geral da Ucrânia, Svyatoslav Piskun, disse ao jornal que 18 mísseis de cruzeiro X-55, também conhecidos como Kh-55 ou AS-15, foram vendidos em 2001, mas que nenhum continha as ogivas nucleares para os quais foram projetados. O X-55 tem alcance de 3.000 quilômetros. Com ele, a China pode atingir o Japão, e o Irã pode atacar Israel.
Um porta-voz do procurador-geral pediu "duas ou três horas" para que uma reunião terminasse e ele oferecesse explicações. Os Estados Unidos afirmam há anos que parte do arsenal da antiga União Soviética poderia ser vendida ou contrabandeada para países que Washington vê como uma ameaça.
Piskun disse que o governo do ex-presidente Leonid Kuchma indiciou um empresário ucraniano pela venda e começou um julgamento secreto no ano passado. Um dos dois empresários russos suspeitos de serem os mentores da transação teria sido detido em julho de 2004 em Praga e estaria aguardando um pedido de extradição.
A embaixada dos EUA em Kiev disse ao Financial Times que está "monitorando de perto" a investigação do governo ucraniano e que espera que o resultado do julgamento secreto seja tornado público. Os Estados Unidos acusam o Irã de tentar desenvolver um arsenal nuclear. Teerã diz que seu programa atômico se destina exclusivamente à geração de energia.
Segundo Piskun, o Japão está preocupado com a possibilidade de os mísseis vendidos à China irem parar na Coréia do Norte. Ele disse, porém, que não há base para tal suspeita. Eleito há menos de três meses, o presidente Viktor Yushchenko tenta aproximar o país da União Européia, que deve suspender um embargo de armas à China até o final de junho.
A União Européia vê o embargo, imposto em 1989, depois da repressão às manifestações pró-democracia em Pequim, como um obstáculo à melhoria das relações. O bloco pretende estabelecer um código de conduta para todas as exportações de armas.