A Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA) suspendeu nesta terça-feira o programa de gestão de cadáveres diante do escândalo pela venda ilegal de corpos e órgãos desse centro. O cancelamento deste programa de doações, que a UCLA foi pioneira nos Estados Unidos, coincide com novas provas deste escândalo que já causou duas detenções.
Entre as provas, foram encontradas as faturas que supostamente demonstram a venda ilícita de cerca de 500 cadáveres durante seis anos, e que foram publicadas nesta terça-feira no jornal "Los Angeles Times". Os dois detidos são Henry Reid, diretor de gestão de cadáveres na universidade, e Ernest V. Nelson, intermediário que supostamente adquiria os corpos do centro para sua venda às companhias farmacêuticas.
Nelson foi quem apresentou as faturas como prova de um tráfico que, na sua opinião, implica a universidade. O centro rejeitou estas acusações, ao indicar que as provas podem ser falsas e afirmar que desconhece estes transações.
No entanto, o advogado do centro universitário anunciou hoje, o cancelamento deste programa de 54 anos e que não voltará a começar até que não conte com autorização legal. Os documentos reproduzidos no jornal demonstram a suposta venda de 496 cadáveres em um período de seis anos por um total de US$ 704,6 mil.
Nas faturas figura o timbre da universidade assim como o nome de Reid, mas não sua assinatura. A quantia cobrada atende ao conceito de "custos de preparação do embalsamado de cadáveres humanos segundo o estipulado".
A legislação vigente proíbe a venda de restos humanos, embora admite a cobrança de despesas de gestão. Além disso, no caso da universidade, os corpos foram doados para seu estudo por estudantes de medicina.
Por cada cadáver se pagou em média US$ 1,4 mil e pelo geral, nas faturas apresentadas se agrupam oito corpos. Entre outras empresas que teriam adquirido estes corpos, está a companhia farmacêutica Johnson & Johnson, segundo "Los Angeles Times", que cita às supostas provas levadas por Nelson.
As duas pessoas detidas se encontram em liberdade pagando uma fiança e existe uma terceira que pertence à universidade e que foi afastada pelo centro, embora não tenha sua identidade conhecida. O anúncio da suspensão do programa de gestão de cadáveres foi feito durante uma audiência legal na qual familiares dos doadores apresentaram uma denúncia solicitando danos e prejuízos por um escândalo que "violou total e completamente a moral" dos já falecidos.
Um dos advogados destas famílias, Raymond Boucher, está relacionado com uma denúncia prévia contra o mesmo departamento da universidade. Nela se acusa ao centro de misturar as cinzas dos doadores com outros resíduos médicos da universidade e, ao invés de entregá-los às famílias, segundo o estipulado, jogavam no lixo.