A juíza da 21ª Vara Cível, Ana Lucia Vieira do Carmo, condenou a Rede Bandeirantes de Televisão a indenizar o desembargador Alberto Craveiro de Almeida em 200 salários mínimos, por reportagem ofensiva à honra do magistrado. O desembargador foi o relator da Apelação Criminal do Ministério Público, na sentença que absolveu Sergio Naya pelo desabamento do edifício Palace II.
No julgamento, Alberto Craveiro, acompanhando parecer da Procuradoria de Justiça, votou pela confirmação da sentença, enquanto os demais desembargadores votaram pela condenação do acusado. Por não ser unânime a decisão, a defesa de Naya recorreu e o acusado foi absolvido por unanimidade de 5 votos pela 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
A ação movida pelo desembargador contra a TV Bandeirantes foi motivada pela reportagem exibida no dia 30 de março de 2004, no Jornal de Band. O noticiário afirmou que a Polícia Federal apreendera documentos com Sergio Naya, quando o acusado tentava fugir do Brasil, que, segundo a reportagem, indicavam o estreito relacionamento de Naya com os desembargadores e apontou Alberto Craveiro como "aliado" do acusado.
Na sentença, a juíza destacou que "infelizmente as pessoas que vêem o jornal não querem saber quem é o desembargador Alberto Craveiro, mas sim que ele era 'aliado' de Sergio Naya", como disse o Sr. Carlos Nascimento(...)."
Ana Lucia concluiu, afirmando que "certo é que parece haver intenção deliberada por parte da ré de fornecer meias verdades e de, finalmente, associar o nome do autor à conduta escusa e, portanto, altamente lesiva em se tratando de um magistrado no exercício da função. Trata-se, evidentemente, de uma fórmula jornalística sensacionalista que visa desacreditar o Magistrado e o Judiciário. Por isso, a notícia em tela constitui um frontal golpe à honra subjetiva e objetiva do autor".
Para o advogado do desembargador, Sandro Schulze, "a decisão destaca a importância do respeito à honra de todo cidadão, que não pode, de forma alguma, ter seu nome maculado por reportagens tendenciosas, que denigrem, inclusive, a imagem da imprensa séria e informativa, fundamental para a democracia".