Desde o meio-dia deste domingo, a TV Brasil já pode ser sintonizada no canal 2 no Distrito Federal e nos Estados do Rio de Janeiro e do Maranhão, e também na Amazônia, onde o sinal pode ser captado por meio de antena parabólica. Em São Paulo, os telespectadores podem assistir à TV Brasil no canal 69, em UHF.
A emissora pública, criada a partir da fusão da TV Nacional, TV Educativa do Rio de Janeiro e Educativa do Maranhão, vai priorizar na transmissão inaugural reflexões sobre o seu compromisso, o papel da televisão no Brasil e os impactos da implantação digital, que também teve seu início neste domingo, em São Paulo.
A nova emissora está vinculada à recém-criada Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, acredita que a coincidência dos fatos na data será um marco para comunicação brasileira. Ela cita a alta definição de imagem e a interatividade como grandes benefícios do ingresso do país na era digital. Já a TV pública é vista como o cumprimento de uma previsão constitucional de 1988, pela qual o sistema de radiodifusão brasileira deve ser complementar entre privado, estatal e público.
- As redes comerciais cumpriram um papel importante na integração do Brasil e as estatais são utilizadas legitimamente para governantes e outras autoridades prestarem contas dos seus atos. Mas ainda não tínhamos uma TV pública, generalista, com todas a faixas, do infantil ao telejornal, sendo controlada por uma mecanismo de participação direta da sociedade, como é o nosso conselho curador - ressaltou Tereza Cruvinel.
Ao longo do dia a programação será composta por transmissões dos estúdios de Brasília e do Rio, entradas ao vivo com telespectadores e produções de emissoras regionais previamente encomendadas. Também serão utilizados comentários do público enviados por telefone ou internet.
Segundo o gerente de jornalismo da EBC, Eduardo Castro, será a partir de sugestões e da participação interativa dos telespectadores que a grade de programação será construída e adaptada progressivamente: Um dos mecanismos que serão lançados vai permitir, inclusive, o envio de material em vídeo pelo público, para possível aproveitamento nos programas.
A presidente da EBC admite que as mudanças iniciais ainda são tímidas, mas justificadas pela falta de orçamento, demora na aprovação da medida provisória que cria a empresa e pelo fato de a nova diretoria ter sido empossada há apenas um mês. O maior compromisso da TV Brasil, conforme Cruvinel, será a pluralidade:
- Não vamos brigar nem disputar audiência com outras televisões. Ela vem para aumentar a oferta. Se você não quer ver o futebol na TV comercial e preferir um documentário da TV pública, terá essa alternativa - afirmou.