Os partidos laicos e as poderosas Forças Armadas conseguiram impedir a eleição de um muçulmano praticante, indicado pelo partido majoritário Justiça e Desenvolvimento (AK), de orientação islâmica.
Cerca de 42 milhões de pessoas estão aptas a votar neste domingo, com 14 partidos lutando pelos 550 assentos no Parlamento.
A votação começou às 7h (1h de Brasília) no leste da Turquia e uma hora mais tarde no restante do país.
Retorno
Segundo a correspondente da BBC em Ancara Sarah Rainsford, eleitores estão voltando antecipadamente de férias nas praias para votar.
Alguns desses eleitores dizem ter feito um esforço especial para retornar e votar desta vez por acreditar que o sistema secular do país precisa ser protegido.
Uma das questões em jogo nestas eleições é a proposta de reforma constitucional proposta pelo governo do premiê Recip Tayyip Erdogan.
As reformas incluiriam a eleição direta para a Presidência, proposta após o Parlamento ter recusado repetidamente a eleição de Gul, seu candidato.
Secularismo
O secularismo é considerado fundamental para a identidade turca como nação. O país foi fundado em 1923 como um Estado laico pelo general Mustafa Kemal Ataturk, no que havia sido o Império Otomano.
A intenção de Ataturk era que essa nação de maioria muçulmana fosse um país moderno e secular, introduzindo reformas amplas que incluíam a emancipação das mulheres, a introdução de vestimentas ocidentais, do alfabeto latino e de um código legal baseado nos ocidentais, além da abolição das instituições islâmicas.
O partido islâmico Justiça e Desenvolvimento, no poder desde 2002, afirma respeitar os princípios do secularismo previstos pela Constituição, mas os opositores acusam a agremiação de ter um suposto projeto islâmico.
O atual governo promoveu uma série de reformas democráticas durante seus cinco anos no poder, mas a oposição cita as tentativas de criminalizar o adultério e de indicar um presidente do Banco Central muçulmano como sinais do suposto projeto islâmico do partido.