Dezenas de veículos militares seguiram para a região da fronteira com o Iraque nesta segunda-feira, enquanto manifestantes protestam na Turquia exigindo a repressão dos rebeldes curdos após o ataque que matou 12 soldados em uma emboscada no domingo.
Um cinegrafista da AP Television News afirmou ter visto um comboio de 50 veículos militares, carregado de soldados e armas, em direção a cidade de Sirnak, no sudoeste do país. Ainda não está claro se a manobra deve apenas reforçar o contingente do Exército no país ou se sinaliza uma ofensiva contra o vizinho em breve.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, insistiu que a Turquia está disposta a lançar uma ação militar contra os rebeldes curdos no norte do Iraque, apesar dos pedidos de moderação dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Em entrevista ao jornal britânico The Times publicada nesta segunda-feira, Erdogan - que falou horas antes de o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) matar 12 soldados turcos - disse que seu país pediu sem sucesso aos EUA e ao Iraque que expulsassem os separatistas. Helicópteros e soldados turcos em terra responderam ao ataque, matando pelo menos 32 militantes.
O governo da Turquia enfrenta forte pressão pública nesta segunda-feira para realizar incursões no território iraquiano, a fim de combater guerrilheiros curdos que operam no norte do país.
O ataque, o pior em mais de uma década cometido por rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), aconteceu quatro dias depois de o Parlamento turco ter aprovado uma moção que permite que tropas do país entrem no norte do Iraque para agir contra as guerrilhas.
— Não temos que receber permissão de ninguém — ressaltou Erdogan. O premiê turco acrescentou que o PKK está se escondendo atrás dos governos dos EUA e do Iraque e utilizando armas americanas.
— Se um país vizinho está facilitando um lugar seguro para o terrorismo, nós temos direitos em virtude do direito internacional e utilizaremos esses direitos, e não precisamos da permissão de ninguém — disse.
Nesta segunda-feira, Erdogan terá uma reunião semanal de gabinete e deve discutir o aumento da violência do PKK e depois segue para Londres, para uma visita oficial.
O preço do barril de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) registrou o sexto recorde consecutivo na sexta-feira e foi vendido a US$ 81,55. Entre os fatores que contribuem para a constante alta dos preços de petróleo está a tensa situação atual no norte do Iraque, na fronteira turco-iraquiana.