Um contingente de 300 soldados turcos cruzou, na madrugada de terça-feira, o território curdo no norte do Iraque. A informação partir de postos avançados de observação das forças armadas iraquianas. A notícia da incursão, divulgada pela manhã nos principais centros financeiros do mundo, elevou o preço do petróleo a mais de US$ 91 o barril.
Um militar iraquiano, que pediu para não ser identificado, afirmou que a pequena entrada não deve se transformar em uma operação maior.
- Acho que esta é uma incursão limitada e não será ampliada - afirmou a fonte a jornalistas estrangeiros situados na região.
A Turquia reclama o direito de usar força militar para o confronto com separatistas curdos alojados na região semi-autônoma do norte iraquiano e lançam ataques contra seu território.
Resistência separatista
A resistência curda na Turquia, liderada sobretudo pelo PKK, tem aumentado nos últimos anos, tanto no campo político-militar, como na defesa dos costumes e tradições do povo. Sua luta representa um fator de instabilidade em toda a região. A Turquia pretendeu fazer aquilo que Saddam Hussein tentou e não conseguiu - destruir o PKK - e, com isso, angariar novos trunfos para suas tentativas de integrar a União Européia.
As forças políticas curdas legais estão quase desaparecidas na Turquia. O Partido Trabalhista do Povo (HEP) foi proibido em 1993, e o Partido da Democracia, sucessor do HEP, também foi proscrito. Muitos de seus dirigentes estão presos ou exilados. A tortura de prisioneiros curdos é amplamente denunciada por várias organizações internacionais de direitos humanos. A resistência armada conta com aproximadamente 20 mil guerrilheiros, 200 mil milicianos e quase 5 milhões de simpatizantes. Também melhoraram suas ligações com as organizações populares urbanas, os exilados e a oposição turca.
Visita surpresa
Secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice pediu, nesta terça-feira aos líderes iraquianos, que acelerem a reconciliação nacional, durante uma viagem ofuscada pela incursão de cerca de 300 soldados turcos no norte do Iraque. Em sua oitava visita como secretária de Estado, Rice pretendia destacar os progressos na redução da violência e fortalecimento da economia, segundo assessores.
- O que falta aqui, e é absolutamente necessário em longo prazo para garantir tudo isso, é progresso político - disse a jornalistas David Satterfield, coordenador do Departamento de Estado para o Iraque.
A segurança no Iraque melhorou devido ao envio de 30 mil soldados adicionais dos EUA, à rebelião de tribos sunitas contra a Al Qaeda e à trégua de seis meses declarada pela milícia do clérigo radical xiita Moqtada Al Sadr. Mas o governo, liderado pelos xiitas, continua paralisado pelas disputas internas e não conseguiu aprovar leis que estimulem a reconciliação entre as seitas e etnias.
O fato de Rice visitar Kirkuk, cidade habitada por curdos, árabes e turcomenos, cerca de 250 quilômetros ao norte de Bagdá, foi vista como parte da nova política norte-americana de dar mais ênfase à reconciliação em nível nacional e regional.