Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 2026

Turquia condena voto nos EUA sobre 'genocídio' armênio

Quinta, 11 de Outubro de 2007 às 06:31, por: CdB

A Turquia condenou a votação feita em um comitê do Congresso dos Estados Unidos que reconhece como genocídio o assassinato em massa de armênios por turcos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial.

O presidente da Turquia, Abdullah Gul, disse que a medida é "inaceitável" e acusou políticos americanos de colocarem em risco a relação entre os dois países.

— (Os políticos)mais uma vez preferiram sacrificar grandes questões por joguetes políticos domésticos —, disse Gul, segundo a agência estatal de notícias Anatolia.

A Casa Branca se disse decepcionada com a votação do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, que aprovou a moção por 27 votos a 21, o primeiro passo para que a proposta seja submetida a votação no plenário da Câmara.

Antes da votação, o presidente George W. Bush havia dito que a medida poderia prejudicar consideravelmente as relações dos Estados Unidos com a Turquia, qualificando o país como um aliado-chave na "guerra contra o terror".

Quando a França aprovou resolução semelhante no ano passado, a Turquia cortou ligações militares com o país.

Bases militares turcas são cruciais para as operações americanas no Iraque e no Afeganistão. A Turquia nega que turcos otomanos tenham massacrado sistematicamente 1,5 milhão de armênios entre 1915 e o fim da Primeira Guerra, em 1918.

Segundo as autoridades turcas, os dados são exagerados e são relativos a um conflito interno em que também morreram muitos turcos.

Correspondentes nos EUA dizem que apenas uma mudança de posição dos democratas, que controlam o Congresso, pode impedir que a moção seja colocada em votação.

A polêmica vem em um momento delicado nas relações entre a Turquia e os Estados Unidos. O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan confirmou que o Parlamento em Ancara poderá discutir nesta quinta-feira a moção que autoriza o Exército do país a cruzar a fronteira com o Iraque para promover operações militares contra militantes separatistas curdos.

Uma recente escalada em ataques promovidos pelo PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, na Turquia, matou quase 30 soldados e civis em uma semana.

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