Policiais de cinco países europeus prenderam 63 pessoas em ações contra um grupo turco de extrema esquerda, disse uma autoridade turca nesta sexta-feira. A imprensa local afirma que a operação está relacionada com a cúpula da Otan que ocorre em junho.
Istambul vai receber líderes da aliança militar ocidental, inclusive o presidente dos EUA, George W. Bush, nos dias 28 e 29 de junho. Por isso, de acordo com alguns jornais, as autoridades querem reprimir os grupos militantes antes disso. Fontes da polícia e do Ministério do Interior não foram localizadas para comentar essa especulação.
O grupo perseguido nas ações desta quinta-feira, o Partido-Frente Revolucionária de Libertação Popular (DHKP-C), é conhecido por sua hostilidade à Otan, aos EUA e ao ''establishment'' turco. Ele assumiu a responsabilidade por atentados a bomba na Turquia.
A polícia local disse que 40 pessoas foram detidas na Turquia e 23 no exterior. ``Estivemos em contato com as polícias de Alemanha, Itália, Holanda e Bélgica durante um ano, segundo um acordo de cooperação de segurança, e tivemos reuniões de avaliação com as forças de segurança desses países'', disse o porta-voz Ramazan Er.
O popular jornal Milliyet disse que as ações policiais em Istambul se concentraram em órgãos de comunicação e associações supostamente ligados ao DHKP-C. ``Limpeza contra o terror à espera da Otan'', foi a manchete do Milliyet. ``Foi declarado que o objetivo da operação era controlar as ações terroristas antes da cúpula da Otan'', disse o jornal, sem citar fontes.
Er afirmou a jornalistas que a polícia está visando a todos os grupos militantes e já deteve 143 pessoas em ações contra ''grupos terroristas religiosos'' desde o começo do ano. O DHKP-C não tem qualquer vínculo conhecido com radicais islâmicos.
No ano passado, o grupo assumiu a responsabilidade por pequenas explosões em um McDonald's e em um hotel estatal em Istambul, em protesto contra a invasão norte-americana ao vizinho Iraque. Ninguém ficou ferido nos ataques.
O grupo disse que também cometeu um atentado suicida em setembro de 2001 em Istambul, que matou dois policiais e um turista australiano. Em novembro, quatro ataques suicidas mataram mais de 60 pessoas em Istambul, a principal cidade turca. O governo atribuiu os atentados à Al Qaeda.
A União Européia, à qual a Turquia quer aderir, colocou o DHKP-C na sua lista de organizações terroristas.