Algumas autoridades militares de altas patentes envolvidas na tentativa de golpe fugiram do país, acrescentou a autoridade
Por Redação, com agências internacionais - de Istambul:
Forças de segurança da Turquia ainda buscavam alguns dos soldados envolvidos em uma tentativa fracassa de golpe em diversas cidades e áreas rurais, mas não há risco de um novo movimento para tomada de poder, disse uma autoridade sênior de segurança nesta segunda-feira.
Policial ao lado de carro destruído em Ancara
O comando militar da Turquia sofreu "um duro golpe em termos de organização" devido ao movimento da semana passada, mas ainda está funcionando em coordenação com a agência de inteligência, polícia e governo, disse a autoridade à agência inglesa de notícias Reuters.
Algumas autoridades militares de altas patentes envolvidas na tentativa de golpe fugiram do país, acrescentou a autoridade.
Documentos
A Turquia possui documentos que detalham os responsáveis pela tentativa fracassada de golpe que tentou derrubar o governo durante o fim de semana, disse nesta segunda-feira o primeiro-ministro Binali Yildirim.
Os organizadores da tentativa de golpe possuíam planos detalhados de quem ficaria com cargos ministeriais e quem iria agir como chefe da lei marcial, disse Yildirim em declaração após encontro de gabinete.
Ele também disse que investigações estão em andamento e detenções dentro das forças de segurança irão continuar.
A Turquia removeu 8 mil policiais em todo o país, incluindo Istambul e na capital, Ancara, por supostas ligações com a tentativa de golpe fracassada de sexta-feira, disse à Reuters nesta segunda-feira uma autoridade sênior de segurança.
A ação ocorre dias após uma tentativa fracassada de golpe, que o governo atribui a um "Estado paralelo" liderado pelo clérigo islâmico autoexilado Fethullah Gulen.
Homem é morto
Um homem que vestia uniforme militar foi morto pela polícia turca depois que abriu fogo diante do tribunal de Ancara nesta segunda-feira.
O incidente ocorreu no tribunal, no momento em que 27 generais e almirantes detidos pelo golpe prestavam depoimento, entre eles Akin Ozturk, considerado um dos principais estrategistas da tentativa de assumir o poder. Ele foi comandante da Força Aérea turca de 2013 a 2015 e é próximo do clérigo islâmico Fethullah Gullen, que vive em exílio nos Estados Unidos e teria ajudado a articular o golpe.
De acordo com a imprensa turca, os 27 oficiais detidos representam quase um terço dos generais do país. Além deles, o governo de Erdogan suspendeu o mandato de 30 prefeitos, do total de 81. Também hoje o primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, informou que subiu para 313 o número de mortos e para 1.491 o de feridos nos combates relacionados à tentativa de golpe.
Destas vítimas, 146 eram civis, 60 atuam como policiais, três eram soldados e 104 faziam parte dos militares golpistas. Já as pessoas presas por ligação com a tentativa de golpe são 7.543, sendo 6.030 militares.
Avião de Erdogan
No curso da tentativa de derrubada do presidente turco Tayyip Erdogan, os rebeldes que pilotavam dois aviões F-16 chegaram a ter o avião de Erdogan em sua alça de mira. Mas nenhum disparo foi efetuado.
O presidente turco voltava para Istambul depois de passar o feriado em um resort em Marmaris, na costa turca, quando militares lançaram a tentativa de golpe na última sexta-feira à noite, fechando uma ponte sobre o Estreito de Bósforo, tentando capturar o principal aeroporto de Istambul e enviando tanques ao Parlamento em Ancara.
– Pelo menos dois F-16s assediaram o avião de Erdogan enquanto ele estava no ar e em rota para Istambul. Eles chegaram a apontar suas miras para o avião e para outros dois caças que o protegiam – disse à Reuters um ex-oficial militar com conhecimento dos eventos.
– Porque eles não dispararam é um mistério – disse ele.
Caso Erdogan, que governa o país de cerca de 80 milhões de pessoas desde 2003, fosse mesmo deposto o episódio poderia colocar a Turquia em um grande conflito interno e marcar mais uma mudança sísmica no Oriente Médio, cinco anos após os levantes árabes que mergulharam sua vizinha Síria em guerra civil.
Um oficial turco de alto escalão confirmou à Reuters que o jato executivo de Erdogan havia sido seguido desde o aeroporto em Marmaris por dois caças F-16 comandados pelos golpistas, mas que o presidente conseguiu chegar a Istambul com segurança.
Um segundo funcionário do alto escalão militar também disse que o jato presidencial chegou a ficar "em apuros no ar", mas não deu detalhes.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.