Os turistas e egípcios estão em choque em Sharm el-Sheik e circulando pela cidade para ver a destruição causada pelas pelo menos três bombas que explodiram durante a madrugada deste sábado no popular balneário no sul da Península do Sinai.
No distrito de Naama Bay, área onde ocorreram pelo menos duas explosões, a destruição é grande no Hotel Ghazala Gardens. Uma outra explosão atingiu um pequeno centro comercial na área.
A maior destruição, no entanto, aconteceu a cerca de 10 km de Naama Bay, no mercado localizado na parte antiga de Sharm el-Sheik. Lá, diversos carros parados em frente ao mercado foram destruídos.
<b>Destino popular</b>
Sharm el-Sheik é um dos destinos mais populares com turistas europeus em busca de praia e sol no Egito.
A região também é a preferida do presidente egípcio Hosni Mubarak, que tem um palácio por aqui e sempre busca promover reuniões internacionais - reuniões entre israelenses e Palestinos, em particular - nos grandes hotéis da área.
Diversos egípcios - que estavam trabalhando nas lojas que atendem a turistas na hora da explosão - ainda podem ser vistos pela cidade com as roupas manchadas de sangue.
Outros, já começam o trabalho de limpar o entulho e os muitos cacos de vidro que foram espalhados pelas bombas.
<b>Turistas</b>
Apesar da tensão, os turistas europeus - que durante todo o ano lotam os hotéis da costa do Sinai - dizem que não pretendem antecipar o fim de suas ferias.
O inglês Warren Bolder disse que estava dormindo no hotel dele ao lado, do Ghazala Gardens, quando ouviu primeiro uma explosão muito forte e depois outra um pouco mais fraca.
- Disse na hora para minha mulher que só poderia ser uma bomba. Tentamos sair do hotel na hora mas as portas tinham sido bloqueadas pela segurança - disse o turista.
De manhã, Warren foi passear com a mulher Patricia pela rua onde ocorreu a explosão e ver a extensão do estrago.
Apesar de ter os olhos cheios de lágrimas e estar visivelmente em choque, Patricia afirmou que o casal não pretende antecipar a volta para a Grã-Bretanha, marcada para quinta-feira, ou desistir de ferias futuras no Egito.
- Já viemos várias vezes para cá e adoramos o lugar. Isto e uma tragédia que está agora acontecendo em todos os lugares, mas não podemos deixar de viver - disse.
<b>Sem um braço</b>
Um comerciante egípcio - dono de um estande onde vende souvenirs - disse que estava trabalhando na hora da explosão e que viu cenas horríveis, como a de uma mulher correndo sem um dos braços.
- Não sei o que aconteceu. Estava aqui trabalhando e de repente, 'bum'. Pode ter sido qualquer coisa - disse Mohamed el-Nari, também ferido levemente no pé pelos vidros que voaram das vitrines.
O recepcionista de um hotel em Naama Bay, que preferiu não ser identificado, disse que todos os turistas israelenses e também muitos árabes decidiram deixar a cidade depois das explosões. "Os europeus estão ficando", disse.
Ele mesmo afirma que vai continuar trabalhando normalmente e que não tem medo de novos ataques.
- Eu trabalhava em Taba quando aconteceu a explosão lá e agora estou aqui. Na hora em que for para acontecer algo comigo, vai acontecer de qualquer jeito - disse.
Turistas e egípcios estão em choque com as três explosões
Sábado, 23 de Julho de 2005 às 05:32, por: CdB