Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Turistas chegam à Blumenau para beber 500 mil litros de chope

Sexta, 03 de Outubro de 2003 às 17:10, por: CdB

Os reflexos da colonização germânica, espalhados pelo Sul do Brasil, têm no município de Blumenau uma de suas principais representações. A cidade de Santa Catarina, de 300 mil habitantes, transpira cultura alemã - seja nos trajes típicos da população, nas confeitarias, ou mesmo no estilo colonial das casas e prédios, inclusive o da própria prefeitura. Ao caminhar pela cidade, é fácil encontrar moradores vestindo as tradicionais roupas no estilo tirolês, comendo salsichões e "chucrutes" e, principalmente, tomando a bem gelada cerveja tão apreciada pelos europeus.

Mas, a Oktoberfest dos trópicos que Blumenau promove completa este ano vinte anos de existência com um tempero tipicamente brasileiro. Mesmo com a inspiração européia, a festa ganhou estilo próprio. "Na original, em Munique, os alemães não dançam. É só comer e beber. Aqui tem música, todos bebem e se divertem", ressaltou o presidente da Fundação Promotora de Exposições de Blumenau (Proep), empresa organizadora da Oktoberfest de Blumenau, Vitor Anderle.

Na primeira edição em 1983, os números da festa foram modestos. Afinal, a idéia era apenas recuperar o que os moradores e a prefeitura tinham perdido com as chuvas. Em 1984, o sucesso foi tomando conta do evento. Em apenas dez dias de festa, 102 mil pessoas foram prestigiar a festa - número que época representava mais da metade da população da cidade . E o que era inicialmente realizado em um pavilhão, passou a ocupar dois.

O sucesso da Oktoberfest consolidou-se na terceira edição, quando mais um pavilhão foi construído. Hoje, são quatro imensos pavilhões que abrigam, por noite, mais de 100 mil pessoas. Com o passar do tempo, os números da Oktoberfest foram crescendo e, agora, assustam. Em suas 19 edições, a festa reuniu mais de 13,3 milhões de pessoas, e bateu o recorde de público em 1988 e 1992, quando mais de um milhão de pessoas passaram pelos seus corredores durante os 18 dias em que é realizada.

A festa já se consolidou no calendário oficial de eventos não apenas de Santa Catarina, mas de todo o país. E reúne brasileiros dos mais diferentes estados, que propositalmente marcam viagens para o Sul no período em que ocorre a festa - entre os dias 02 e 19 de outubro.

Gente como o casal Marcos e Cristina Dantas, que aproveitam o "giro" pelo Sul do país para fazer uma parada estratégica em Blumenau. Pela segunda vez na Oktoberfest, os moradores de Niterói, no Rio de Janeiro, curtiam ontem em Blumenau, na primeira noite da festa, a cerveja, os pratos típicos, e os souvenirs vendidos nas várias lojas e tendas espalhadas ao longo do pavilhão da festa. "Nós estivemos aqui há 12 anos, mas melhorou bastante, cresceu muito. A gente estava fazendo um giro pelo Sul e marcamos para essa data para estar aqui em outubro e aproveitar um pouquinho não só desta, mas de todas as festas da região", disse o engenheiro Marcos.

Mesmo os moradores de Blumenau não se cansam depois de 20 anos de festa. Ao contrário: aproveitam o evento para incrementar o orçamento familiar. O taxista Afonso da Silva, que há oito anos trabalha na cidade, dirige três vezes mais no período da Oktoberfest que a sua freqüência habitual. "A festa traz muitos resultados bons. De meia-noite em diante começam as corridas. E não param mais, até as 5 da manhã", afirmou Afonso, sem esconder o bom-humor diante do engarrafamento nas vias de acesso à festa. Quanto mais gente, segundo ele, mais lucro e dinheiro para a cidade e para os moradores.

Segundo pesquisa realizada esta semana pelos organizadores, 82% dos moradores de Blumenau aprovam o evento. "A festa nos últimos anos primou pela recuperação da cidade e representa muito. Além dos empregos temporários, toda a cidade vive um clima de turismo e comércio", ressaltou Vitor Andrele. Pelos cálculos da organização da Oktoberfest, a festa traz recursos da ordem de R$ 20 milhões para a cidade de Blumenau após cada edição, gera 600 empregos diretos e 2.500 indiretos.

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