Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Turbulências externas podem dificultar queda de juros

Os juros no Brasil, pelas condições atuais, ainda têm espaço para novas reduções. Mas esse espaço começa a ficar mais estreito por uma série de fatores, inclusive as turbulências externas. A inflação, embora com boa folga em relação à meta de 4,5%, continua registrando preços fortes de alimentos, no atacado e no varejo, que devem colocar os diversos índices, inclusive o IPCA, em patamar mais alto do que era esperado pra este ano. (Leia Mais)

Domingo, 12 de Agosto de 2007 às 16:54, por: CdB

Os juros no Brasil, pelas condições atuais, ainda têm espaço para novas reduções. Mas esse espaço começa a ficar mais estreito por uma série de fatores, inclusive as turbulências externas.

Já havia dúvidas em relação ao ritmo de corte a ser implementado nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A inflação, embora com boa folga em relação à meta de 4,5%, continua registrando preços fortes de alimentos, no atacado e no varejo, que devem colocar os diversos índices, inclusive o IPCA, em patamar mais alto do que era esperado pra este ano.

Vale lembrar que, no começo de 2007, se falava inclusive na possibilidade de o índice oficial ficar abaixo do limite inferior da meta, dado o bom comportamento dos preços. E, na definição da meta de inflação para 2009, que o governo preferiu manter em 4,5%, se argumentava muito a facilidade com que a inflação ficaria contínua em nível mais baixo, de 4%. Pois bem, os preços dos alimentos estão limitando essa queda. E, para o ano que vem, também por outros fatores, como a projeção de reajustes maiores para os preços administrados, a inflação deve corre muito encostada à meta.

Tem mais: os juros no Brasil podem estar chegando ao chamado ponto de equilíbrio, nível até onde podem cair sem estimular demais a atividade e o consumo, a ponto de provocar desequilíbrios em relação à oferta. Não só a oferta geral na economia mas também de serviços estruturais. O Brasil é carente de investimentos e estrutura em área prioritárias, como transportes e energia, que podem não atender ao ritmo de demanda de uma economia mais acelerada, por período mais longo.

Tudo isso se refere, basicamente, às questões domésticas se o Brasil não tivesse de olhar muito para o cenário externo. Mas tem. E a maré favorável da economia internacional que tem ajudado a economia brasileira a navegar em águas calmas mudou e pode mudar mais. A crise decorrente do setor imobiliário americano ainda ameaça se alastrar mais pelo sistema financeiro, atingindo a economia real. O Brasil pode enfrentar um ambiente de menor liquidez, redução do fluxo de investimentos e menor atividade econõmica, com possíveis reflexos até no comércio internacional. E agora esse deverá ser um fator decisivo nos passos da política monetária.

Manter ou não os juros internos em queda vai depender muito do cenário internacional. Enquanto se cogita a possibilidade de os bancos internacionais, como da Europa e dos Estados Unidos, terem de reduzir os juros, para diminuir os reflexos negativos da crise imobiliária americana, o Brasil teria de traçar caminho inverso, para segurar o ritmo de atividade, pressões inflacionárias e manter uma atratividade adicional para os investidores, visando inclusive possíveis impactos no câmbio. O dólar só rompeu, para cima, a barreira de R$ 1,90 e até de R$ 1,95 pela crise internacional. Pelo ambiente interno a cotação deveria estar muito inferior a este patamar.

Portanto, é muito difícil prever qual será o movimento do Copom nas próximas reuniões. Se a crise externa ceder e houver acomodação dos mercados, tudo prossegue como previsto. Mas diante das incertezas internacionais, a "parcimônia" com que o Banco Central trata essa questão só tende a aumentar.

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