Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Turbulência aponta estabilidade da Selic

Segunda, 17 de Maio de 2004 às 06:34, por: CdB

A queda do juro é uma necessidade para o governo Lula que precisa dar corda à economia. De preferência, antes da arrancada para as eleições municipais que esvaziam o Congresso e reduzem o calendário anual a praticamente seis meses.

Junho - para influentes bancadas no Congresso - não é mês de trabalho. Junho é mês de fé, dedicado às romarias que saúdam santos e explicam a histórica mobilização de políticos em suas bases especialmente no nordeste. 2004 é ano de eleição.

Donos do dinheiro, grandes bancos engrossam o discurso oficial e defendem uma ação mais ousada do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta, quando será definida a Selic que estará em vigor até 16 de junho.

Na prática, porém, tesourarias de bancos e gestores de fundos de investimentos não depositam um centavo na possibilidade de corte do juro básico.

Para cada dia de sinalização de declínio de taxa no mercado futuro, os bancos vêm usando duas sessões para corrigir o otimismo num incansável vaivém que tem pautado os negócios na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

Os bancos se mexem. E, neste mês, trocaram o pano de fundo das discussões rotineiras de vésperas das reuniões do Copom. Desta vez, o Federal Reserve desbancou a inflação e as metas domésticas. E cresce a expectativa de que a ata do Copom terá um claro enfoque internacional.

A percepção de que o aumento do juro nos Estados Unidos poderá ocorrer no final de junho antecipou uma revisão global de portfólios.

Estrago antecipado

Quando o juro americano subir, os grandes investidores possivelmente terão concluído a realocação de recursos. Mas, até que a expectativa se transforme em fato, ativos de países apanham, os prêmios de risco soberano avançam e os mercados financeiros locais enfrentam prolongada turbulência.

O momento é bem representado por aumento de volatilidade que não cessa sequer com a mudança de patamar de preços e taxas dos indicadores financeiros.

As taxas de câmbio exibem o vigor do dólar frente a uma coleção de moedas. Índices referenciais das bolsas de valores afundam no vermelho.

Os juros sobem e encarecem a rolagem do endividamento doméstico de governos.

Trombone

No Brasil os movimentos foram amplificados sob estímulo de condições particulares:

* o BC tenta orientar com rigor a política monetária pela política de metas de inflação

* a dívida mobiliária brasileira, incluindo passivo cambial, ronda 830 bilhões de reais ou cerca de 55% do Produto Interno Bruto (PIB)

* a dívida mobiliária ainda é concentrada no curto prazo e fortemente indexada ao juro básico e à taxa de câmbio

* os maiores financiadores dessa dívida são os fundos de investimento que pulverizam riscos a um amplo contingente de aplicadores apegados a operações de varejo.

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