Tumulto e falhas técnicas dão o tom na Câmara dos Deputados
O dia começou tumultuado na Câmara dos Deputado, no dia em que tomaram posse os 513 parlamentares eleitos para o mandato até 2015. Trânsito tumultuado, corredores e salões lotados, discussões pontuais e algumas falhas técnicas deram o tom da solenidade.
O dia começou tumultuado na Câmara dos Deputado, no dia em que tomaram posse os 513 parlamentares eleitos para o mandato até 2015. Trânsito tumultuado, corredores e salões lotados, discussões pontuais e algumas falhas técnicas deram o tom da solenidade. A maioria dos novos congressistas chegou cedo, geralmente acompanhados de familiares e assessores, fato suficiente para engarrafar o trânsito no entorno da Praça dos Três Poderes.
Francisco Everardo Oliveira Silva (PR), mais conhecido como Palhaço Tiririca, 45 anos, deputado federal mais votado do país, com 1.353.820 votos, 6,35% do total de votos de São Paulo, revelou seu voto em favor do candidato petista à Presidência da Câmara, Marco Maia. Ao tomar posse na Câmara nesta terça-feira, Tiririca discordou da candidatura de Sandro Mabel (GO), que é do mesmo partido.
– Vou seguir a orientação do meu partido, votando no Marco Maia – afirmou.
O parlamentar, que já foi cantor, compositor e humorista, é natural de Itapipoca (CE). Tiririca também foi vendedor de algodão doce e picolé e trabalhou no circo como equilibrista, malabarista, mágico e palhaço. Como deputado, ele afirma que, além de trazer para a Câmara as propostas dos seus eleitores, vai trabalhar na defesa dos animais e de atividades ligadas ao mundo do circo.
Um dos primeiros a chegar para a solenidade de posse, contou que ao chegar, disse que tem muito o que aprender e recebeu conselhos da colega Benedita da Silva (PT-RJ), para quem ele deve "andar na coletividade". Tiririca foi o deputado mais assediado durante a posse e teve o nome muito aplaudido quando lido no plenário.
Fundo Social
A deputada eleita Benedita da Silva (PT-RJ) defende que a reforma política seja um dos temas prioritários para os deputados que iniciam agora o mandato. O foco de seu mandato, porém, será trabalhar em projetos ligados à Seguridade Social. “Sabemos que ainda existe um bolsão de miséria no País e eu pretendo trabalhar por mais oportunidades para as populações mais carentes em todas as faixas etárias”, disse. Ela pleiteia, dentro do partido, uma vaga como titular da Comissão de Seguridade Social e Família.
Benedita destacou ainda, como um dos temas importantes a serem tratados na nova legislatura, o debate sobre a distribuição dos recursos do Fundo Social do Pré-sal. Ela disse ainda que é favorável à aprovação da reforma tributária. A deputada afirmou também que ainda não é possível antecipar o comportamento da base aliada e da oposição diante do governo Dilma Rousseff.
– Estamos em momento de namoro, em que cada parte procura conhecer a outra. As articulações em torno da agenda e o comportamento de cada um só vêm depois – afirmou a deputada.
Ela não concorda com a análise de que o governo atual será menos polarizado do que o anterior (Lula). “Não acredito nessa história de que a Dilma é apenas técnica. Ela também é política”, disse.
A carioca Benedita da Silva, 68 anos, retorna à Câmara após um período de 16 anos. Depois de exercer dois mandatos de deputada federal, entre 1987 e 1994, ela foi eleita para o Senado, onde permaneceu até 1998. Em seguida, foi vice-governadora do Rio de Janeiro na gestão Garotinho, entre 1999 e 2002, e ministra de Desenvolvimento Social nos dois primeiros anos do governo Lula.
Reforma política
O deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu, disse que espera usar a experiência de dois mandatos na prefeitura de Cruzeiro do Oeste (PR) para defender propostas de temas diretamente ligados à vida ao eleitor, como saúde, educação e transporte. O deputado defendeu uma distribuição mais justa dos recursos entre os entes federados, porque “quem está na prefeitura sabe como é difícil administrar”. Zeca Dirceu disse que é favorável à votação das reformas política e tributária e da desoneração da folha de pagamentos para facilitar a geração de empregos.
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