O corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou nesta quinta-feira que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ainda "está com a cabeça na forca". Ele se referiu as outras duas representações que tramitam no Conselho de Ética contra ele e o pedido de abertura de uma terceira, protocolado pelo PSOL na Mesa Diretora do Senado.
Segundo Tuma, há riscos de uma delas — a que trata da Schincariol — ser arquivada.
- Vocês viram: colocaram o presidente na forca e esqueceram de tirar o banquinho, então ele está na forca ainda - afirmou Tuma.
O corregedor se fixará, a partir de agora, no caso do suposto uso de laranjas para participar de sociedades em emissoras de rádio e no comando de um jornal em Alagoas, estado natal de Renan. Para Tuma, é fundamental que o Senado possa ouvir o primo do peemedebista, Tito Uchoa, apontado por acusadores de Renan, entre eles o usineiro João Lyra, como principal ator nos supostos negócios escusos do presidente da Casa.
O Ministério Público Federal (MPF) também investiga as denúncias contra o parlamentar.
- Temos que ouvir o Uchoa e outras pessoas que foram citadas. Mas o Uchoa foge. Toda hora que eu tento marcar, ele vem pra cá [Brasília] e se acoberta. Ele é uma peça importante - afirmou o corregedor.
O Conselho de Ética do Senado já recebeu duas das três representações que pedem a cassação do mandato de Renan por quebra de decoro parlamentar.
A primeira apura a denúncia de que ele teria beneficiado a empresa Schincariol junto ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e grilado terras em Alagoas junto com seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL).
A segunda pede a investigação da denúncia de que Renan teria usado laranjas para comprar rádios e um jornal em Alagoas.
O PSOL já protocolou na Mesa Diretora do Senado o pedido de abertura de mais outro processo. Desta vez, o partido acusa Renan de ter participado de um esquema de desvio e lavagem de dinheiro em ministérios chefiados pelo PMDB or meio do lobista Luiz Garcia Coelho. Porém, falta a Mesa Diretora do Senado encaminhar a terceira representação.
O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), afirmou nesta quinta-feira que a decisão de remeter essa terceira representação para o Conselho de Ética está nas mãos de Renan.