A coordenação de campanha do pré-candidato tucano José Serra marcou uma série de encontros, ao longo desta semana, a começar por esta segunda-feira, para redesenhar a estratégia do opositor à pré-candidatura do Partido dos Trabalhadores, exercida pela ex-ministra-chefe da Casa Civil, a economista Dilma Rousseff. Os encontros ocorrem ainda sob o impacto da última pesquisa de opinião do Instituto Datafolha, que revelou a curva vertiginosa de ascensão de Dilma sobre Serra até o empate técnico, com vantagem para a petista.
A escolha do candidato a vice na chapa tucana, porém, é um dos principais indicativos das dificuldades encontradas por Serra em sua caminhada rumo ao Planalto. O partido pretende realizar um novo apelo para que o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, embarque na campanha do ex-colega paulista, mas os principais líderes da legenda conservadora sabem que a tarefa não será fácil. Ainda que, nas contas dos tucanos, a presença de Aécio nos palanques poderia somar entre 1,5 a 2 milhões de votos, do lado mineiro a conversa é outra:
– O Aécio poderia não apenas perder sua sustentação em Minas, onde Serra é visto como aquele que tirou a oportunidade dele ser candidato à Presidência da República ainda este ano, como sabe que seria pegar uma cadeira no Parlamento, para a qual ele deverá seguir como o senador mais votado do país, e jogar no lixo. Como bom soldado do partido, ele deverá ponderar que, colocados todos os ovos na mesma cesta, uma derrota do PSDB significaria uma tragédia eleitoral. Além disso, se chegar ao Senado como campeão de votos, o que é muito provável, Aécio será a melhor opção do PSDB para 2014 – disse um parlamentar tucano de Minas Gerais, na condição de anonimato.
Ainda assim, há no ninho tucano aqueles que preferem a "tão sonhada chapa puro-sangue", acrescenta o parlamentar. Entre eles está o secretário-geral do PSDB de Minas, Lafayette de Andrada. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) também adiantou aos jornalistas que pretendia conversar com Aécio "sem ansiedade para que seja vice, mas para que trabalhe de corpo e alma na campanha".
Na realidade, a escolha de Aécio para vice de Serra se transforma em uma questão de sobrevivência para a legenda, que viu um possível substituto de Aécio, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), apresentar na semana passada uma emenda que flexibiliza o Projeto Ficha Limpa para que políticos envolvidos em processos criminais possam concorrer às próximas eleições.
Coordenadores da campanha acenderam, após a divulgação da pesquisa Datafolha, a luz amarela no ninho tucano. Além do impasse na escolha de um vice para Serra, a comunicação social do partido também sofreu críticas por parte dos cardeais do PSDB, que evitam tocar no assunto e preferem não falar em substituições no time, por enquanto. Parlamentares próximos a Serra, porém, reconhecem um aumento nos níveis de irritabilidade do pré-candidato que, segundo afirmam, não dorme mais do que cinco horas por noite.