– Não aceitamos. Não foram suficientes – disse ao chegar ao Senado, na terça-feira à tarde, o senador Sérgio Guerra, ao se referir às propostas apresentadas pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta manhã.
Guerra informou que a bancada irá discutir o assunto, mas adiantou que o PSDB irá rejeitar a proposta do governo.
O governo propôs isentar de CPMF quem ganha até R$ 4.340,00. Acima deste valor, segundo o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, haveria um abatimento de R$ 214 por ano.
O líder, no entanto, disse que o impasse envolvendo a reforma tributária e novas desonerações faz com que o PSDB considere que a proposta ainda é insuficiente para comover o partido.
Segundo ele, o PSDB quer a redução dos gastos públicos e da carga tributária.
– Para quem vai receber R$ 160 bilhões de CPMF nos próximos anos, o governo está desonerando muito pouco – disse Virgílio.
Ele afirmou que o PSDB acredita que o governo pode melhorar a proposta. O líder contou que, segundo a apresentação feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a desoneração seria de R$ 2 bilhões.
– Atinge uma faixa ampla de contribuintes, mas é ínfima pelo que o governo pode fazer – afirmou Virgílio. – Ou o governo melhora a proposta, ou ele se contenta com o voto contra do PSDB.
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), também participou da reunião e considerou insuficiente a proposta. Segundo o senador, o governo precisa apresentar uma proposta de desoneração maior da CPMF e crescente ao longo do tempo.
Ele evitou marcar uma data para a resposta do PSDB ao ministro Mantega.
Antes da reunião, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que o PSDB tinha de resolver internamente as insatisfações dos seus deputados, que fizeram oposição da proposta da CPMF.
– O PSDB está vivendo outra realidade agora. O governo abriu uma negociação com o PSDB, no Senado – disse Jucá. E tal atitude teria provocado o descontentamento da bancada tucana na Câmara.
O governo aceitou praticamente todas as exigências feitas pelo PSDB, como o envio ao Congresso de uma proposta de reforma tributária, a criação de regras e limites para o endividamento da União, facilidades para Estados e municípios pagarem seus precatórios - dívidas decorrentes de sentenças judiciais - e o repasse de mais R$ 24 bilhões para a saúde.
O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT), disse, nesta manhã, que prevê uma disputa acirrada entre governo e oposição na votação da CPMF.
– Dizer que uma das partes já ganhou seria precipitação e acho que será uma disputa acirrada entre a aprovação e a não aprovação da CPMF.