Com qualquer resultado, no TSE, tucanos já teriam se definido por deixar que mandato de Temer acabe o quanto antes
Por Redação - de Brasília
Presidente de facto, Michel Temer espera a absolvição no julgamento da chapa vitoriosa em 2014. Embora espere que uma vitória no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lhe garanta mais tempo no governo, o inferno astral que o persegue ainda está por vir. O PSDB, agora sob a Presidência do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), conta os minutos para desembarcar da base aliada.
Principais garantidores do golpe de Estado, em curso com a presença de Temer no Planalto, os tucanos tiveram a sinalização de que o grupo político que depôs a presidenta Dilma Rousseff (PT), em maio do ano passado, estaria intacto. Em silêncio, como apurou a reportagem do Correio do Brasil, um grupo de senadores realizou uma sondagem nas duas Casas legislativas. Constatou que um nome extraído da oposição (PT, PCdoB, PDT e demais legendas do campo progressista) tem pouca chance de vitória, em uma eleição indireta.
Desembarque
A sinalização para o desembarque foi disparada nesta quarta-feira. Em entrevista a um diário conservador carioca, Jereissati foi direto.
— Estou preocupado com esse novo roteiro do TSE. Se absolver Temer e Dilma, a casa cai — disse.
Na base aliada, 32 dos 46 deputados tucanos seguem a orientação dos senadores do PSDB e já avisaram que não pretendem permanecer no governo dominado pela equipe de Michel Temer. A denúncia do procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, a ser divulgada nas próximas horas, tende a ser o torpedo decisivo no naufrágio de Temer.
Aquelas mesmas consultas, às quais o CdB teve acesso, apontam Jereissati como o representante tucano em eventuais eleições indiretas. Em conversas com a direção do partido, os tucanos que ainda integram o governo seguem na dúvida quanto a deixar os cargos. Aloysio Nunes, do Itamaraty, gosta do status que lhe foi conferido. Já, Antônio Imbassahy, da articulação com o Congresso, avalia ser necessário mais tempo para se chegar a uma conclusão. E Bruno Araújo, das Cidades, não sabe se fica ou se sai.
No TSE
Fato é, no entanto, que pelas manifestações dos ministros do TSE durante o terceiro dia do julgamento da chapa Dilma-Temer, há o indicativo de uma maioria favorável a Temer. Ela está se formando, na exclusão do depoimento de executivos da Odebrecht do processo. Trata-se da principal prova da ação que poderia cassar o mandato de Temer e tornar inelegível a ex-presidente Dilma Rousseff.
Até agora, em intervenções, posicionaram-se a favor desta tese os ministros Napoleão Nunes Maia e Admar Gonzaga. Tarcísio Vieira e o presidente do TSE, Gilmar Mendes tendem a acompanhá-los. Contrariamente à retirada dessas provas e manter o caso Odebrecht no processo falaram o relator, Herman Benjamin, e os ministros Luiz Fux e Rosa Weber.
A corte deve atender a pedido feito preliminarmente pelas defesas de Temer e de Dilma de que o "caso Odebrecht" não constava da ação movida pelo PSDB no final de 2014 e, por essa razão, foram ilegalmente incluídas no processo.
‘Alça de mira’
Nunes Maia disse que houve uma ampliação indevida do processo contra a chapa quando se ouviu depoimentos de delatores da Odebrecht sobre o financiamento da campanha e defendeu que não é possível um mandatário ficar o tempo todo na "alça da mira" de uma ação.
— Houve a dilargação ou dilargamento do objeto da ação desrespeitando, a meu ver, a determinação de que a ação deveria ser encerrada em apenas um ano. Tanto a Odebrecht quanto a JBS... podem ser investigadas? Claro, mas de acordo com as ações adequadas, mas não nesta ação. Porque o objeto desta ação ficou restrita à eleição de 2014 — argumentou Nunes Maia.
Para ele, "não se pode permanentemente ficar o mandatário. Seja o presidente, o governador, o prefeito, na alça de mira de uma ação".
Doações oficiais
Vieira de Carvalho seguiu a mesma linha.
— A meu ver, tais acontecimentos (Odebrecht e outros) não estão relacionados aos contornos da ação. Cuidam, na verdade, de novas causas de pedir que não podem ser introduzidas na causa em curso — disse.
Gonzaga foi taxativo quanto à limitação da demanda inicial.
— Queria responder a essa questão lendo o subtítulo da petição inicial dos autores. O Financiamento de campanha mediante doações oficiais de empreiteiras. Meu voto, portanto, se limitará a recebimento de doações oficiais de empresas contratadas pela Petrobras — concluiu.
