O PSDB decidiu, nesta terça-feira, pedir que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixe o cargo durante as investigações sobre as acusações de que recebeu ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais.
- Entendemos que, a essa altura, só há legitimidade na defesa dele e na ampla investigação se o presidente Renan se afastar durante o processo - afirmou o líder tucano no Senado, Arthur Virgilio (AM).
A decisão foi tomada pelo PSDB em reunião com a bancada de senadores do partido e lideranças tucanas na Câmara. O PSDB segue a mesma postura do Democratas, que pediu na semana passada o afastamento de Renan do cargo.
Arthur Virgilio promete um pronunciamento em plenário nesta terça defendendo a atitude do partido.
O PSDB também quer a devolução do processo contra Renan ao Conselho de Ética depois que o presidente do órgão, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), remeteu o caso à Mesa Diretora alegando falhas jurídicas.
Segundo Virgilio, ele recebeu informações de que a maioria da Mesa quer a devolução do processo ao conselho, mas cogita pedir o aval do plenário do Senado.
A votação em plenário, aliás, foi cogitada pelo vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), que preside a reunião da Mesa. Ao todo, há sete integrantes, incluindo o próprio Renan, que não participa desta reunião.
Dos seis membros da Mesa, três são da base do governo: Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, Gérson Camata (PMDB-ES) e Magno Malta (PR-ES), e demais da oposição: Efraim Morais (DEM-PB), César Borges (DEM-BA) e Papaléo Paes (PSDB-AP).
Segundo Viana, que se manifesta somente em caso de empate, há três hipóteses: arquivar o processo, devolvê-lo ao conselho ou remeter a decisão para o plenário do Senado.
Aliados de Renan trabalham para que a maioria da Mesa adote o caminho do arquivamento. Para isso, articulam para terem o voto de Efraim nesta reunião. E já contam até com um recurso contrário a essa decisão, o que também levaria a definição a plenário.
— A única saída é cumprir à risca o regimento —, disse o vice-presidente da Casa.
Renan já chegou ao Senado, mas não foi para o gabinete da presidência. O senador preferiu ficar no gabinete pessoal.