Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

Tucanos paulistas entram na linha de fogo no caso Alstom

Sexta, 20 de Junho de 2008 às 08:19, por: CdB

No Estado de São Paulo, uma série de denúncias sobre o desvio de bilhões de reais de obras realizadas nos últimos governos tucanos levou as investigações até a França e à Suíça. Agentes federais seguem a trilha do pagamento de propina pela empresa multinacional Alstom para obtenção de contratos com o governo de São Paulo e estatais paulistas.

O rastro do dinheiro mostra que o suborno teria como destino, em São Paulo, durante todo o ano de 1997, o PSDB e uma série de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e dirigentes da Secretaria de Estado de Energia. Um memorando, datado de 23 de setembro de 1997 e assinado por um executivo da multinacional francesa, em Paris, foi a base para a descoberta da suposta rede de propinas envolvendo negócios no Brasil.

O comunicado estava endereçado a um gerente sênior de exportação, na capital francesa, segundo publicou, nesta sexta-feira, o Wall Street Journal. O objetivo do bilhete era liberar o pagamento de comissões a uma pessoa chamada Cláudio Mendes, que era assessor muito próximo do governador Mário Covas, à época. Segundo outro comunicado escrito por Bernard Metz, executivo da Alstom, Mendes podia agilizar as negociações. Metz escreveu também que, em troca de uma comissão de 7,5% do valor do contrato, Mendes poderia obter apoio do PSDB, da Secretaria de Energia e até do TCE, que posteriormente analisaria a legalidade dos contratos.

Promotores europeus afirmam que, entre 1998 e 2003, a Alstom utilizou serviços de Mendes como principal canal para os supostos pagamentos de propinas no Brasil e teria recebido vários milhões de dólares para intermediar negócios na América do Sul e na Ásia, por meio de uma rede de agentes pagos por contratos de consultoria de fachada. A rede, segundo o jornal norte-americano, teria repassado a Mendes cerca de US$ 5 milhões.

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