O PSDB protocolou, nesta terça-feira, a segunda representação contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética. Vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR) argumenta que não é mais possível evitar um julgamento político do colega maranhense, aliado histórico da direita no país, e espera a cassação do ex-presidente da República pelo Plenário da Casa. Dias afirmou ainda, aos jornalistas, que o resultado justo desse julgamento será "a punição mais severa, mais rigorosa".
– Há uma exigência da sociedade e não responder é comprometer a credibilidade da instituição. Um julgamento político prescinde da prova material. Mas elas existem neste caso, gravações telefônicas se constituem em prova material já que foram autorizadas judicialmente. O julgamento político não pode prescindir de indícios relevantes, eles existem no caso e sobretudo o que existe é a responsabilidade de preservar o Senado. Podemos correr o risco de cometer injustiça com qualquer senador, mas não podemos cometer injustiça com a instituição Senado – afirmou.
Dias espera que a oposição consiga resolver a questão no Conselho de Ética, caso contrário, Sarney tem a possibilidade de sair ileso do julgamento.
– No plenário do Senado é mais complicado porque o voto é secreto. Tem um fator que deve ser considerado. Teremos eleições no próximo ano. Os senadores percorreram suas bases nestes dias de recesso e perceberam a grande indignação popular, não há como superar essa crise sem a solução desse impasse que convergiu para a figura do presidente Sarney – disse aos jornalistas.
Além das denúncias apresentadas por tucanos, Sarney também é alvo, no Conselho de Ética, de uma representação do PSOL. Dias afirma, no entanto, que a "representação tem mais força", uma vez que pede a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar e pode ser oficializada somente por partidos.