Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Tucanos à beira de um ataque de nervos

O apoio do governador de Goiás, Marconi Perillo, à candidatura do colega paulista, Geraldo Alckmin, à Presidência da República, teve um peso maior do que o prefeito paulistano, José Serra, imaginava. Em meados de fevereiro, Perillo e o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, iniciaram um movimento de repulsa à tese de se escolher o candidato tucano por intermédio da trinca Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente da República), Aécio Neves (governador mineiro) e Tasso Jereissati (presidente do PSDB). (Leia Mais)

Segunda, 13 de Março de 2006 às 06:59, por: CdB

O apoio do governador de Goiás, Marconi Perillo, à candidatura do colega paulista, Geraldo Alckmin, à Presidência da República, teve um peso maior do que o prefeito paulistano, José Serra, imaginava. Em meados de fevereiro, Perillo e o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, iniciaram um movimento de repulsa à tese de se escolher o candidato tucano por intermédio da trinca Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente da República), Aécio Neves (governador mineiro) e Tasso Jereissati (presidente do PSDB). Neste fim de semana, Jereissati - que hoje pende mais para o lado de Alckmin - em conversa com partidários no Ceará, disse que Serra terá que passar pelo crivo de uma prévia, caso deseje mesmo o lugar pretendido por Alckmin.

Não servem de mais nada os resultados das pesquisas de opinião que colocam o prefeito à frente do governador de São Paulo. Este era um dos trunfos de Serra, mas o próprio Alckmin descartou a vantagem.

- Essas pesquisas mostram um retrato do passado - disse, em recente entrevista. Hoje, os cardeais do tucanato estão convencidos de que a decisão de Alckmin disputar o cargo é uma "realidade incontestável", segundo afirmou o governador mineiro a interlocutores, também nesse fim de semana.

Houve um momento em que Serra teria livre acesso à possibilidade de disputar o Palácio do Planalto com o atual inquilino, Luiz Inácio Lula da Silva, no início deste mês. Sua indecisão de refugar quando poderia ter anunciado que é candidato, segundo Jereissati, abriu caminho para que Alckmin consolidasse seu desejo de disputar a Presidência e deixasse o candidato derrotado por Lula na última eleição em uma posição desvantajosa junto à base partidária.

No Ceará, onde a família Jereissati exerce forte controle político, os tucanos têm uma bancada de nove deputados federais e, entre eles, oito já disseram que preferem ver Alckmin na disputa. São eles: Antonio Cambraia, Gonzaga Motta, Léo Alcântara, Manoel Salviano, Marcelo Teixeira, Raimundo Gomes de Matos, Vicente Arruda e Antenor Naspolini. Bismarck Maia é o único deputado cearense favorável a Serra. Mas a influência de Alckmin no partido não está restrita ao Ceará, Goiás e Paraíba. Nos demais Estados da Federação não falta apoio ao governador paulista.

Enquanto Alckmin incentiva a disputa interna, Serra continuou, neste fim de semana, insistindo na tecla de que deseja o apoio do governador de seu Estado para se declarar candidato e, com isso, foi pressionado por parlamentares a deixar de lado este discurso e partir para o enfrentamento. Assim, ficam cada vez mais evidentes as rachaduras no ninho tucano.
 
Diante do impasse estabelecido, o partido dificilmente conseguirá anunciar quem será o adversário de Lula nesta terça-feira, a menos que resolvam impor o nome de Serra e correr o risco de uma fratura irreversível na unidade tucana, ou o prefeito desista de ser candidato, o que parece algo inteiramente improvável, a julgar pelo número de reuniões entre Serra e seus aliados, nos últimos dias. Sobra a possibilidade da disputa aberta, em uma convenção, mas que se transforma em uma possibilidade ainda mais desgastante para os tucanos, que querem conhecer, o quanto antes, quem pretende enfrentar o atual presidente brasileiro.

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