Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

Tsunami na praça financeira suíça

Quinta, 16 de Outubro de 2008 às 15:04, por: CdB

Primeiro banco suíço, UBS, quase repete o americano Lehmans. Governo dá uma injeção de 60 bilhões de dólares mas o país vai ser um dos mais atingidos pela crise.

O escritor e sociólogo suíço Jean Ziegler dizia - se vir um banqueiro suíço se atirar da janela, atire-se logo atrás também porque deve ser um bom negócio. Isso não é mais verdade e, ao que parece, vai acabar o mito da praça financeira e dos bancos suíços.

O maior banco do país, o UBS, primeiro a sofrer com os investimentos hipotecários de alto risco nos EUA, subprime, perdeu no primeiro semestre cerca de 50 bilhões de dólares e escapou por pouco da falência com uma recapitalização de mergência de cerca de 15 bilhões, julgando-se a salvo.

Entretanto, o arrebentar da crise nos EUA com a falência do banco Lehmans e sua propagação pela Europa, repercutiu novamente no UBS, onde um grande número de clientes, principalmente estrangeiros, retirou seus capitais, num total de quase 70 bilhões de dólares. Essa fuga de capitais ao inverso, provocou duas crises de febre no banco - uma há três semanas, da qual se pensava ter se restabelecido, e outra nesta semana.

Somando-se os 50 bilhões mais os 70 bilhões, o UBS se defrontava com uma crise de desconfiança nunca antes ocorrida e, apesar de ser ainda há algumas semanas o maior banco suíço, corria o risco de falir por falta de liquidez para atender as retiradas feitas por clientes assustados.

Ora, enquanto a União Européia decidiu uma série de medidas de nacionalizações parciais de seus principais bancos, para evitar o pânico, a Suíça parecia à parte, o que acentuou a desconfiança no Exterior.

Para evitar o pior, e em situação de emergência, o Banco Nacional Suíço decidiu intervir e emprestar ao UBS a soma equivaletne a 60 bilhões de dólares, salvamdp a honra bancária do país in extremis. Mas fiel ao liberalismo, o governo suíço não fez uma nacionalização parcial do UBS e sim um investimento perigoso, ao emprestar em troca de títulos "podres", a maioria ainda ligada aos subprimes.

Por sua vez, o segundo maior banco suíço, o Credit Suisse procedeu a uma recapitalização equivalente a dez bilhões de dólares por parte do governo do Qatar. O UBS também já havia recebido cerca de 15 bilhões de um fundo asiático, no primekro semestre.

Para retornar a Jean Ziegler, o inimigo número um do segredo bancário, parece que terminou hoje um dos grande mitos da economia mundial - a segurança dos bancos suíços que dava à Suíça a fama de maior refúgio de capitais. A chamada Caverna de Ali Babá não resistiu ao tsunami da crise.

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