Por José Inácio Werneck - Se os eleitores, apesar de tudo, consagrarem Trump nas urnas (o que é difícil, mas não impossível) os Estados Unidos estarão condenados perante a opinião pública mundial.
Certamente nunca houve na história das eleições americanas um candidato tão desprovido de qualidades para ocupar a presidência da nação.Por José Inácio Werneck, de Bristol, EUA: Trump perde no debate com Hillary Clinton, mas o risco de ganhar ainda existe
Passei algum tempo fora dos Estados Unidos, primeiro no Brasil e depois no México, mas volto e constato que o auto-intulado bilionário Donald Trump vem se constituindo nos últimos dias em um espetáculo mais grotesco do que já era antes de minha viagem.
Sua atuação no primeiro debate presidendial, contra a candidata democrata Hillary Clinton (Trump representa os republicanos) foi lamentável.
Ele porém vem se encarregando nos últimos dias em piorar seu retrospecto com novas baixarias, agora investindo contra uma ex-Miss Universo, a venezuelana Alícia Machado.
Trump é quase obeso, dono de uma pouco lisongeira papada, uma volumosa barriga e alentadas nádegas, que disfarça com calças bem folgadas.
Mesmo assim, continua a chamar a ex-Miss Universo de gorda e agora insinua que ela atua em filmes pornográficos.
Para os leitores que não estejam a par, explico como a controvérsia começou.
No fim do debate presidencial, Hillary Clinton chamou Trump às falas pelas grosserias que anteriormente já tinha despejado sobre a desfortunada dama, apelidando-a de Miss Piggy (Senhorita Leitoa) e Miss Housekeeping (Senhorita Arrumadeira). O útimo epíteto originou-se pelo fato de que ela é uma “latina” - e latinas, nos Estados Unidos, ao ver de Trump, destinam-se a limpar casas e quartos de hotéis.
Toda a campanha de Trump é dedicada a despertar o que há de mais retrógrado, reacionário e racista em um grande segmento da população americana que não se conforma em ter visto um negro, Barack Obama, ser alçado por duas vezes ao posto mais alto da República.
Por isto, Trump não se envergonha de uma campanha que basicamente hostiliza negros, hispânicos, naturais do Oriente Médio, asiáticos em geral, e chega a fazer piadas de mau gosto com portadores de deficiências físicas.
O que há de alarmante é haver uma grande parte do eleitorado que não se importa com isto, nem com o fato de que Trump não apenas se recusa a mostrar sua declaração de Imposto de Renda como chegou a se definir, no debate, como uma pessoa “esperta”, quando Hillary Clinton o acusou de fraudar o fisco.
Certamente nunca houve na história das eleições americanas um candidato tão desprovido de qualidades para ocupar a presidência da nação.
Esta eleição na verdade será menos sobre Hillary Clinton e sobre Donald Trump do que sobre o povo americano. Se os eleitores, apesar de tudo, consagrarem Trump nas urnas (o que é difícil, mas não impossível) os Estados Unidos estarão condenados perante a opinião pública mundial.
José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.
Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
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