Presidente dos EUA afirma que sua pressão para que países árabes combatam terrorismo "rendeu frutos". Estados do Golfo e Egito revogam licença da Qatar Airways e fecham conexões aéreas, marítimas e terrestres com Qatar
Por Redação, com DW - de Washington:
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a pressão que exerceu sobre países árabes para que enfrentem o terrorismo "rendeu frutos", após os Estados do Golfo isolarem o Qatar. Nesta terça-feira, Trump transmitiu seu apoio à Arábia Saudita e seus aliados depois que estes romperam relações diplomáticas com Doha alegando que o país fomenta o terrorismo.
Em uma ação surpreendente contra um aliado-chave dos EUA, Trump sugeriu que o Qatar. Local da maior base aérea americana no Oriente Médio. Com cerca de 10 mil soldados estacionados, financia o extremismo, apoiando tacitamente o bloqueio diplomático contra o emirado.
– Tão bom ver que a visita à Arábia Saudita com seu rei e 50 países já rendeu frutos – escreveu o presidente norte-americano numa série de mensagens em sua conta no Twitter. Em referência à sua viagem a Riad no mês passado. "Eles disseram que adotariam uma linha dura no financiamento do extremismo. Todas as referências estavam apontando para o Qatar. Talvez este seja o começo do fim do horror do terrorismo!"
Riad e aliados, incluindo Egito, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Anunciaram na segunda-feira o corte das relações diplomáticas e fecharam as conexões aéreas, marítimas e terrestres com o Qatar.
Eles acusaram o pequeno Estado do Golfo de abrigar grupos extremistas e sugeriram haver a existência de um apoio à agenda política do Irã, arqui-inimigo da Arábia Saudita.
Neste meio tempo, o emir do Kuwait, o xeque Sabah al-Ahmad Al-Sabah, viajou à Arábia Saudita. Na tentativa de resolver a pior crise diplomática a atingir o mundo árabe em anos. O Kuwait não aderiu à ação conjunta contra Doha.
Qatar
Rico em energia, o Qatar há tempos tem laços estremecidos com seus vizinhos. Mas a medida de Riad e seus aliados surpreendeu observadores, aumentando os temores de que a crise possa desestabilizar uma região já volátil. A disputa diplomática ocorre menos de um mês depois da visita de Trump a Riad. Onde pediu que as nações muçulmanas se unissem contra o extremismo.
O corte dos laços diplomáticos logo alcançou efeitos tangíveis, com dezenas de voos cancelados, aviões de empresas do Qatar impedidos de usar o espaço aéreo regional e o estouro de pânico em Doha, em meio ao receio de escassez de alimentos.
Além de cortar as relações diplomáticas e ordenar a saída de cidadãos Qatarianos de seus países em 14 dias, os Estados do Golfo e o Egito revogaram a licença de operação da Qatar Airways. As companhias aéreas Emirates, Etihad, flydubai e Air Arabia, assim como a Saudi Airlines, anunciaram a suspensão de voos de e para o Qatar. Para esta terça-feira, 27 voos estavam agendados de Dubai para Doha, e todos foram cancelados.