Os militares das Filipinas aguardavam nesta quinta-feira ordens para deixar o Iraque em uma tentativa de Manila de salvar a vida de um refém civil. Mas um dia depois de o governo ter dito que estava trabalhando para atender às exigências dos sequestradores de retirar suas tropas humanitárias, ainda há confusão sobre o destino do motorista de caminhão filipino Angelo de la Cruz e se os soldados realmente sairão.
O porta-voz da Força Aérea, major Restituto Padilla, disse que ainda não recebeu ordens e os dois aviões preparados em Manila para a retirada estão agora em outras missões. O major da polícia Honorio Agnila, do departamento encarregado do contingente policial no Iraque, disse à Reuters que os homens continuam cumprindo suas tarefas normalmente.
"Ainda não há ordem, eles ainda estão lá...Eles estão trabalhando na academia de polícia como treinadores. Eles estão ensinando a polícia local, que é o antigo exército iraquiano", disse.
"Eles ainda não receberam ordens (para sair)."
Os militantes que capturaram de la Cruz na semana passada ameaçaram matá-lo caso Manila não retire seus 43 soldados e oito oficiais da polícia até 20 de julho, um mês antes do programado.
Diplomatas em Manila disseram acreditar que de la Cruz esteja vivo e bem, mas um bloqueio de notícias imposto pelo palácio presidencial para limitar especulações impede o fluxo de novas informações.
A aldeia natal do motorista de caminhão e pai de oito filhos, ao norte de Manila, parece estar se preparando para recebê-lo. Uma de suas tias, Yolanda Layug, sorriu para os repórteres e, ao ser questionada sobre o parente sequestrado, disse: "Olhem para a minha cara. Estou sorrindo?"
Homens da aldeia de Buenavista estavam erguendo uma grande tenda e instalando placas em direção à casa de De La Cruz, que foi enfeitada com faixas amarelas, geralmente usadas em cerimônias de boas vindas.
A vida dos milhões de filipinos que trabalham no exterior para ajudar as famílias é um tema político sensível no país de 82 milhões de pessoas e maioria católica romana. A revolta islâmica interna também.
A Frente Moro de Liberação Islâmica e o grupo Abu Sayyaf têm conexões com o Jemaah Islamiah, que por sua vez tem ligações com a al-Qaeda, de acordo com muitos analistas. O Abu Sayyaf esteve envolvido em muitos sequestros.
Uma pesquisa publicada pelos principais jornais nesta quinta-feira mostrou que a opinião dos Filipinos de Manila está dividida. A pesquisa feita pela HB & A Research International mostrou que 49% dos entrevistados querem que a presidente do país, Gloria Macapagal Arroyo, ceda às exigências dos militantes, e 50% querem que as rejeite.