Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Tropas dos EUA enfrentam sérios desafios no Iraque, diz Bush

Sábado, 01 de Maio de 2004 às 11:10, por: CdB

Um ano após ter declarado o fim dos principais combates no Iraque, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse no sábado que as forças norte-americanas ainda enfrentam sérios desafios naquele país. Ele afirmou, no entanto, que o cotidiano dos iraquianos está melhorando de várias maneiras.

No mesmo dia, um veterano da guerra do Iraque, que falava aos democratas, acusou o presidente de deixar os soldados em apuros.

Em seu pronunciamento de rádio semanal, Bush procurou destacar o melhor ângulo possível para a difícil situação no Iraque, onde os EUA e seus aliados foram à guerra usando como justificativa uma suposta existência de armas de destruição em massa, que nunca foram encontradas, e agora enfrentam uma violenta revolta de guerrilha.

Há um ano, Bush colocou uma jaqueta de piloto, aterrissou no porta-aviões USS Abraham Lincoln e declarou o fim das principais operações de combate no Iraque na frente de uma faixa com "missão cumprida."

"Um ano depois, apesar dos vários desafios, a vida para o povo iraquiano está a um mundo de distância da crueldade e da corrupção do regime de Saddam", afirmou Bush, acrescentando que a eletricidade estava amplamente disponível, os bancos prósperos, escolas e clínicas haviam sido reabertas, hospitais renovados e que a indústria do petróleo extrai 2,5 milhões de barris por dia.

No pronunciamento semanal de rádio dos democratas, o primeiro-tenente Paul Rieckhoff, veterano da guerra do Iraque, disse que Bush deveria assumir responsabilidade pela missão mal planejada agora em curso.

"Sr. Presidente, nossa missão não está cumprida", disse Rieckhoff, 29, de Nova York.

No ano passado, regiões do Iraque mergulharam no caos. Desde que Bush afirmou que os principais combates haviam terminado, 428 militares dos EUA foram mortos em ação no Iraque --127 deles apenas em abril. Menos de 100 morreram nas três semanas necessárias para derrubar Saddam Hussein.

"Minha pergunta para o presidente Bush --que planejou essa guerra há tanto tempo-- é a seguinte: quando o senhor assumirá responsabilidade pelas decisões tomadas sobre o Iraque e quando perceberá que há algo errado no modo como as coisas estão acontecendo?", questionou Rieckhoff.

Bush afirmou que é provável que ocorra mais violência, à medida que se se aproxima o prazo para a transferência do poder da coalizão liderada pelos EUA para um governo iraquiano interino, em 30 de junho.

"No campo do Iraque, temos desafios sérios e contínuos", disse Bush, atribuindo a culpa por isso às "milícias ilegais e a remanescentes do regime (de Saddam Hussein), unidos a terroristas estrangeiros".

Rieckhoff afirmou estar desapontado com Bush por fazer os soldados lutarem uma guerra sem o planejamento e equipamentos adequados e por se recusar a mudar os rumos enquanto o Iraque mergulha no "caos".

"Nossos soldados ainda esperam por vestimentas mais adequadas. Eles ainda esperam um equipamento melhor. Eles ainda aguardam uma política que inclua o restante do mundo e alivie o seu fardo. Nossas tropas ainda esperam por ajuda", disse ele.

Bush afirmou que as forças norte-americanas apóiam esforços feitos por iraquianos para negociar o desarmamento dos insurgentes em Falluja e deixaram claro às milícias em Najaf que elas precisam se desarmar.

Tags:
Edições digital e impressa