Manifestantes foram às ruas nesta quarta-feira pelo segundo dia consecutivo no Haiti em protesto contra os altos preços dos alimentos. As tropas da ONU, lideradas pelo Brasil, tiveram de ir às ruas para impedir saques e depredações.
O presidente do Haiti, René Preval, alvo dos manifestantes, foi à televisão para pedir calma à população.
A porta-voz da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) disse à BBC Brasil, por telefone, que a maior parte dos saques e depredações desta quarta-feira foram registrados na capital Porto Príncipe.
Grande parte das lojas teve de fechar pelo terceiro dia consecutivo na cidade. Manifestantes atiraram pedras contra forças de segurança e tiros foram ouvidos pela capital.
US$ 2 por dia
Os protestos começaram na semana passada em diversas cidades do país. Alimentos como o arroz sofreram aumentos de quase 100%. Estima-se que cerca de 80% da população do Haiti vive com menos de US$ 2 por dia.
Na terça-feira, tropas da ONU haviam sido chamadas para proteger o palácio presidencial de manifestantes que pediam a renúncia de Preval. Segundo a rádio local Metropóle, 14 pessoas ficaram feridas nos conflitos de terça entre forças de segurança e manifestantes.
— A solução (para o problema dos alimentos) não é sair destruindo as lojas —, disse o presidente nesta quarta-feira, em pronunciamento à nação.
Ele propôs um corte de impostos para importação de alimentos como forma de amenizar a crise. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, divulgou nota nesta quarta-feira em que pede "a todos os manifestantes que parem com qualquer tipo de violência".
Tropas da ONU são chamadas para conter violência no Haiti
Quarta, 09 de Abril de 2008 às 18:50, por: CdB