As tropas e armas sendo levadas para o Golfo Pérsico estão sob ameaça de possíveis ataques terroristas, conforme indicaram as autoridades militares. Estas afirmaram que estão sob alerta máximo contra estes riscos. Nas últimas três semanas, a inteligência americana reuniu o que seus oficiais afirmam ser provas confiáveis de um atentado planejado contra um avião contratado para transportar soldados para o Exército. Para contra-atacar o que os comandantes qualificam como uma crescente ameaça contra aqueles que estão se mobilizando para uma possível guerra contra o Iraque, os militares americanos começaram a partilhar advertências secretas de seus serviços de inteligência com as companhias que estão levando as forças americanas para a área do Oriente Médio, afirmaram as autoridades. Por exemplo, no caso do suposto plano de atentado, os militares possuíam informações identificando uma companhia aérea civil, um determinado aeroporto nos EUA e uma data para um possível ataque, segundo indicam as autoridades militares e de inteligência. Eles se recusaram a discutir os detalhes, citando considerações de segurança. Os militares removeram do relatório os detalhes que poderiam ter revelado a fonte da advertência ou os métodos utilizados para reunir as informações. Então, ao invés de assumirem o risco de novos atrasos caso trabalhassem com as forças domésticas de segurança, os militares passaram a informação diretamente à companhia aérea que estaria ameaçada. As autoridades de segurança da companhia tomaram medidas preventivas, incluindo-se a alteração da data e horário do vôo e a rota a ser seguida. Outras novas medidas para o compartilhamento de informações com o setor privado de transporte de passageiros - incluindo-se um site protegido por uma senha - estão sendo formuladas aqui na Base Aérea Scott, onde o Comando de Transporte dos EUA coordena o movimento de todas as pessoas e equipamentos nas Forças Armadas. O general John W. Handy, oficial da Força Aérea que comanda o Comando de Transporte, afirmou que como os militares são obrigados a utilizar aviões, caminhões, vagões e navios operados por companhias privadas, "Nós fazemos o possível para mantê-los informados". Handy afirmou que até os relatórios secretos da inteligência americana devem ser disponibilizados - ao menos em uma versão censurada - para o setor privado. "Nosso pedido é que o máximo possível de informações seja compartilhado", Handy afirmou em uma entrevista em seu QG. Em caso de uma mobilização completa para a guerra, mais de 90% dos deslocamentos de tropas necessitariam ser realizados por companhias aéreas contratadas pelas Forças Armadas, afirmam os oficiais. As companhias de transporte ferroviário e rodoviário ajudariam no transporte de blindados, combustível e alimentos para os portos domésticos.
Tropas americanas enviadas ao Golfo poderiam sofrer ataques terroristas
Terça, 14 de Janeiro de 2003 às 00:02, por: CdB