O Festival do Rio tem início nesta quinta-feira, com a festa de abertura e a exibição do filme brasileiro Tropa de Elite de José Padilha, e vai até o dia 4 de outubro. Nunca o Festival teve um filme de abertura já visto por milhões de pessoas e como protesto à pirataria o longa-metragem oficial traz cinco minutos a mais, uma nova narração e melhorias significativas no som. São, enfim, tempos de Internet, de pirataria, de downloads e o Festival descobre agora, em sua nona edição, que nem ele pode escapar destes modernos fenômenos.
Mas quem disse que o Festival será feito apenas de Tropa de Elite? Filmes inéditos, alternativos, pouco – ou quase nunca – vistos dominam a cena nas diversas mostras. Serão mais de quatrocentos filmes, exibidos em quase 30 salas e espaços culturais, que trarão aos cinéfilos cariocas motivos de sobra para correrem para comprar ingressos antecipados.
Mostras trazem principais vencedores de festivais internacionais
Como sempre, a mostra Panorama é a mais procurada pelo público. Com os últimos lançamentos de famosos diretores como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez (Grindhouse), David Lynch (Império dos sonhos) e Gus Van Sant (Paranoid Park), a mostra traz também alguns dos campeões de prêmios dos três grandes festivais de cinema internacionais: Berlim, Cannes e Veneza. Neste último, as premiações de melhores atriz e ator foram concedidas a astros que estarão em filmes da Panorama. I’m not there, de Todd Haynes, fez com que a atriz Cate Blanchett fosse premiada por sua performance como, pasmem, Bob Dylan e Brad Pitt conquistou o prêmio de melhor ator por O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford.
Mas é fácil prever que a Panorama trará os filmes mais disputados e assistidos do Festival. As surpresas, estas sim, estarão garantidas em mostras menores, mas que sempre trazem um bom cenário da atual produção cinematográfica mundial, que vai muito além de Hollywood. A mostra Expectativa traz suas já tradicionais apostas em diretores ainda não tão conhecidos no mundo do cinema. O destaque fica para A última hora, documentário produzido por Leonardo DiCaprio sobre os perigos do aquecimento global. Promete ser o Uma verdade inconveniente, estrelado por Al Gore, de 2007. E por falar em política, Na campanha com Arnold, documentário sobre a campanha de Schwarzeneger ao governo da Califórnia, também é um dos bons destaques da mostra.
Première Brasil apresenta seu maior número de filmes desde a criação do Festival
As já conhecidas mostras Fronteiras, com filmes sobre guerras e conflitos espalhados pelo mundo, Geração, com obras voltadas para crianças, jovens e adolescentes, e Mundo Gay, cujos filmes abordam a diversidade sexual, terão, como em toda edição, seu público fiel e cativo. A Mostra Midnight traz, como sempre, bizarrices para os mais variados gostos. Apenas como exemplos, filmes com títulos como “As bonecas safadas de Dasepo” e “Like a virgin” prometem boas – e estranhas – risadas. Haverá, porém, nesta mesma mostra, a exibição de “Controle, a história de Ian Curtis”, filmado pelo renomado fotógrafo Anton Corbijn, um prato cheio para fãs do rock depressivo dos anos oitenta, que teve seu ápice na figura do líder da banda Joy Division.
As mostras Agnes B., Cannes 60 Anos, Doc Latino, Dox, Foco China (o país escolhido para a “Mostra Foco” deste ano; em 2006 foi o Canadá), Filme Doc, Tesouros, Retratos, Première Latina e Pocket Filmes serão as demais opções para os espectadores do Festival. As homenagens às grandes personalidades do cinema serão representadas pelas mostras Stanley Nelson, com cinco obras do diretor que tão bem filma as populações marginalizadas, e Cem Anos de John Wayne, sobre o grande – talvez o maior – astro do cinema faroeste americano