O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, criticou nesta segunda-feira a decisão da Corregedoria da Polícia Militar de intimar o diretor do filme Tropa de Elite, José Padilha, e o ex-capitão da PM, Rodrigo Pimentel, um dos autores do livro que originou o longa-metragem. Os dois teriam que dar explicações sobre o possível uso de policiais e equipamentos do Estado nas gravações. — Isso é uma bobagem. É uma visão tupiniquim e atrasada — destacou Cabral, durante o lançamento do RioCard Expresso, num restaurante da Zona Sul da capital fluminense.
O diretor e o autor do livro foram orientados pelo governador do Rio, na semana passada, a não comparecerem ao depoimento marcado para esta segunda. A Polícia Militar chegou a divulgar que o descumprimento seria passível de prisão.
Cabral fez uma comparação com os Estados Unidos e a Europa, onde há uma grande produção cinematográfica sem interferência do poder público. — Quantos filmes Hollywood produz por ano com cenas de delegacia, de carros da polícia? — questionou.
Questionado sobre ações truculentas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, o governador elogiou o trabalho do grupo. — O Bope é um batalhão feito de homens corajosos, de pessoas muito bem treinadas em defesa da sociedade — afirmou.