A tropa de choque da Polícia Militar e policiais da Cioe (Companhia Independente de Operações Especiais) de Pernambuco ocuparam o presídio Anibal Bruno, no Recife (PE), na tarde desta terça-feira. Segundo a Segurança Penitenciária do Estado, a rebelião foi controlada por volta das 15h.
Os detentos voltaram a se rebelar na noite de segunda-feira e mataram mais dois colegas. Os motins na unidade ocorrem desde a tarde do último domingo e, no total, há registros de três mortos e 43 presos feridos.
A decisão de entrar em alas dominadas por cerca de 2.000 detentos rebelados ocorreu após uma reunião que envolveu a cúpula dos setores ligados à segurança no Estado de Pernambuco, entre eles as pastas Executiva de Ressocialização, Susipe (Superintendência de Segurança Penitenciária do Estado) e Polícia Militar. O número de policiais envolvidos não foi divulgado.
Segundo o coronel Isaac Vanderley, superintendente de Segurança Penitenciária do Estado, os presos não apresentaram resistência e não há registro de feridos. Até as 17h os policiais permaneciam no presídio para realizar a triagem.
Ao menos 2.000 dos 3.900 presos se rebelaram. Uma parte será transferida para outros presídios, segundo a Segurança Penitenciária do Estado. O número só será conhecido após a chamada operação pente-fino - que consiste em avaliar as condições das alas, celas e revista nos presos.
Na rebelião morreram Thiago Batista de Lima, 20, Francisco Alcides da Silva, 39 e Divanildo José dos Santos, que não teve a idade confirmada oficialmente mas aparenta 30 anos, segundo a Superintendência de Segurança Penitenciária.
Acordo
O superintendente diz que o governo foi surpreendido pelo novo motim. — Eles quebraram um acordo feito na segunda. Teve reunião com quatro presos que se diziam líderes e fizeram as reivindicações — disse.
Entre as exigências estavam a ampliação no número de visitas e o fim do cadastro do visitante -que recebe uma autorização para entrar na unidade. Não há confirmação se, com a nova rebelião, os presos mantêm as reivindicações.
Motins
Na tarde de domingo, os presos promoveram uma rebelião que durou aproximadamente seis horas e terminou com um preso morto e cerca de 40 feridos. Participaram do tumulto o menos 2.000 dos cerca de 3.900 presos - o local tem capacidade para acomodar 1.448 pessoas.
A Superintendência de Segurança Penitenciária chegou a informar que a situação havia sido controlada, mas, na manhã de segunda, os presos voltaram a se rebelar.
Na noite de segunda, após as negociações indicarem que a situação estaria controlada, os detentos iniciaram o novo motim.