Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Trinta quilos de plutônio somem de fábrica nuclear britânica

Quinta, 17 de Fevereiro de 2005 às 05:52, por: CdB

Trinta quilos de plutônio, suficiente, para fabricar sete ou oito bombas atômicas, sumiram misteriosamente da principal fábrica nuclear britânica, a de Sellafield, cujos responsáveis o atribuem a um simples erro de contas.

A auditoria anual do material nuclear em todas as instalações atômicas civis dá conta do misterioso desaparecimento, segundo o jornal <i>The Times</i>.

Essa revelação, diz o jornal, porá em aperto o Grupo Nuclear Britânico e o Ministério de Comércio e Indústria, que realizam no momento uma profunda reestruturação desse setor.

Segundo o The Times, a companhia British Nuclear Fields, que opera essa fábrica nuclear, tenta justificar o ocorrido como um simples erro de contas, mas alguns especialistas independentes consultados pelo jornal expressaram preocupação.

Os responsáveis "dizem que se trata de um problema de auditoria, mas deveriam ser muito mais cuidadosos em um momento de grave preocupação pelo terrorismo", declarou ao jornal o especialista independente John Large.

Segundo Frank Barnaby, especialista em bombas nucleares, embora sempre exista a possibilidade de não se dar conta plenamente de certo material, o sucedido "é preocupante".

Todo o material nuclear de Sellafield, incluído o conteúdo das piscinas contaminadas pelos resíduos nucleares e das eventuais emissões, é objeto de medição anual de acordo com as instruções da Agência Internacional de Anergia Atômica.

O fato de haver problemas desta vez com as contas é mais penoso para os responsáveis que inquietante porque o suposto desaparecimento não significa necessariamente que se tenha desviado esse material ou que tenha acontecido uma falha de segurança.

O registro do material presente em todo momento em Sellafield não é precisamente fácil e podem acontecer erros, reconhece o jornal.

Nessa planta são recicladas as varinhas de combustível nuclear gasto em outras centrais: esse material é refrigerado por até quatro anos em piscinas antes de ser submetido a um processo que inclui sua dissolução em ácido e sua conversão em urânio, plutônio e resíduos de alto nível radiativo.

No final de todo o processo, o peso do plutônio recuperado deve corresponder em certo modo à quantidade inicial e embora possam acontecer discrepâncias, nunca costumam ser da magnitude da observada este ano.

Segundo especialistas citados pelo jornal, o material "desaparecido" representa aproximadamente 0,1% do total processado no ano passado em Sellafield.

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