Cerca de 39 mil iraquianos foram mortos como resultado de combates ou de ações armadas desde a invasão do país árabe liderada pelos Estados Unidos, afirmou na segunda-feira um instituto suíço.
O número é muito maior que as estimativas anteriores.
O banco de dados chamado Contagem de Corpos no Iraque, por exemplo, estima que entre 22.787 e 25.814 civis iraquianos perderam a vida desde a invasão de março de 2003. Os números baseiam-se em informações tiradas de ao menos dois meios de comunicação.
Não há nenhuma estimativa oficial sobre o número de iraquianos mortos durante a guerra. Apenas as baixas sofridas pelas Forças Armadas dos EUA são registradas com exatidão: até agora, foram 1.937.
A estimativa de segunda-feira foi elaborada pelo Instituto de Graduação de Estudos Internacionais, uma entidade com base em Genebra, e divulgada em seu mais recente relatório sobre armas de pequeno calibre.
Esse documento soma-se a um estudo divulgado pela revista médica The Lancet, em outubro passado, segundo o qual houve 100 mil "mortes a mais" no Iraque decorrentes de várias causas, desde 2003. O número foi obtido por meio de uma comparação entre as estimativas de mortos no Iraque antes e depois da guerra. O governo da Grã-Bretanha rebateu as conclusões apresentadas pelo estudo da Lancet.
O instituto suíço afirmou ter chegado a sua cifra reexaminando dados reunidos para o estudo da revista médica e classificando as causas de morte quando isso era possível. Foram computadas apenas as mortes decorrentes de combates ou episódios de violência envolvendo armas.
'ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA'
O relatório divulgado agora conclui, como fez em outros anos, que o número de mortes provocadas por armas de pequeno calibre foi subestimado no mundo todo, e não apenas no Iraque.
O fenômeno deve-se principalmente à falta de informações e a um excesso de confiança em avaliações feitas com base em dados de governos ou em relatos dos meios de comunicação, que são "frequentemente imprecisos".
As armas de pequeno calibre incluem, segundo uma classificação adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), desde revólveres e fuzis até metralhadoras de uso militar, pequenos morteiros e sistemas antitanque portáteis.
Enquanto a opinião pública mundial concentra sua atenção no potencial devastador de armas biológicas, químicas e nucleares, as armas de pequeno calibre "são as verdadeiras armas de destruição em massa", disse o documento.
Grandes concentrações desse tipo de arma em uma região são suficientes para detonar conflitos, afirmou a pesquisa.