Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Trilha sonora da nova velha Lapa

Quarta, 31 de Agosto de 2005 às 21:11, por: CdB

Tem sido estimulado o retorno da Lapa como um bairro residencial. A construção de um prédio de classe média no reduto da boemia vai de encontro com as relativamente novas casas de shows que foram inauguradas na área: o Teatro Odisséia e o novo Circo Voador. Ambos são espaços voltados para um público que também destoa da Lapa tradicional. O Circo Voador foi reerguido para uma freqüência mais elitista (os preços das atrações são absurdos em determinados eventos). O Odisséia passa atrações que não são do main stream e atinge também um público que te maior acesso às novidades culturais.
 
Exemplo claro disso foi os shows do Ludov, no Odisséia, na sexta passada e o show do Cachorro Grande/ Dead Fish, no sábado, no Circo Voador. Novas bandas, representantes de uma nova gravadora, a emergente Deckdisc, em uma nova Lapa, que tenta angariar uma espécie de revalorização do espaço.
 
O interessante dessas novas bandas é que o merchandising é algo muito valorizado. No Odisséia, por exemplo, quem entrava dava de cara com um balcão no qual tinha camisetas, adesivos, CDs e até casacos do Ludov (produtos que chegavam a R$ 80,00). O mesmo no sábado no Circo Voador: CDs, camisetas e DVDs do Dead Fish.
 
- Tem aí o disco do Cachorro Grande?
 
- Não, essa banda não tem merchandising - informou o cidadão responsável pela venda da "loja" do Dead Fish.
 
Com mais de 10 anos de projeção, essa banda de rock pesado (mais sobre essa definição abaixo), tem um público cativo, que obedece fielmente ao ritual do ao vivo.
 
SEXTA-FEIRA
 
Numa escala de peso, o Ludov é uma banda altamente musical, que flerta um pouquinho com o rock e guitarras distorcidas fazendo um som, digamos, cult. A vocalista, Vanessa Krongold, tem um timbre de voz que ganha pela competência ao longo do repertório. Não é uma voz marcante, mas sem dúvida muito competente.
 
E assim é o som da banda também. Não temos solos virtuosos (nem no disco e nem ao vivo). O que vemos são músicos tocando canções, cujo charme está exatamente na simplicidade que aparentemente a banda apresenta (em tempo: elaborar simplicidade com um charme atípico é bem mais difícil do que bolar algo complexo).
 
Daí, assistir ao show dos paulistas do Ludov dá uma impressão de que aquilo que ouvimos é perfeitamente plausível em um espaço radiofônico de grande popularidade. Mas ao mesmo tempo, não. Porque é acessível e ao mesmo tempo diferente. Da nova safra de talentos revelados pela Deck (inclusive Cachorro Grande), sem dúvida o Ludov foi o que melhor soube manter a qualidade (e identidade) entre seu trabalho anterior - independente - e o novo, realizado com ares de super-produção. Fãs do Dead Fish já falam há tempos "A Deck estragou a banda".
 
A banda, após o show, recebia no minúsculo camarim do Odisséia alguns poucos fãs que iam com suas câmeras digitais tirar fotos ou com encartes do CD da banda para serem autografados. Tudo muito simples e charmoso, como o som do quinteto paulista.
 
SÁBADO
 
Abriram a noite a banda Os outros (será que o título saiu do filme de Alejandro Amenábar?), que não merece muito o que falar, e a interessante Luxúria, que traz uma vocalista bem espevitada e um som pasteurizado - alguém aposta aí, Radio Cidade em no máximo um ano.
 
Daí finalmente entrou o Cachorro Grande, que em vários momentos esboçou no público algo que o Dead Fish faria de forma mais abrangente: pancadaria. Motivo: o rock dos cachorros não é tão pesado, é o peso médio entre o Ludov e o Dead Fish. Platéia protestou verbalmente, mas não afetou em nada a performance do Cachorro Grande.
 
A banda gaúcha retrô fez um show um tanto curto, com poucas músicas do novo disco, Pista Livre, e a sempre boa improvisação em uma jam section bem interessante.
 
Sai Cachorro Grande, sem merchandising, entra Dead Fish. Pancadaria. O som

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