Um tribunal iraquiano que se prepara para julgar o ex-ditador Saddam Hussein pretende indiciar formalmente alguns dos aliados dele até o final deste ano, afirmou uma autoridade do órgão nesta terça-feira.
Salem Chalabi, o principal administrador do tribunal, disse que a corte investigava 14 grandes crimes cometidos por um número não determinado de pessoas que serviram ao governo do ex-ditador.
"Neste momento, estamos investigando grandes crimes. Esperamos que os indiciamentos comecem até o final deste ano", disse Chalabi à Reuters, sem dar maiores detalhes.
A corte espera que os ex-assessores de Saddam capturados pelas forças dos Estados Unidos testemunhem contra o ex-ditador.
Segundo autoridades do país, os cúmplices de Saddam devem ser julgados antes dele. Esses processos poderiam ajudar o tribunal a montar a cadeia de comando ligando o ex-ditador aos crimes contra a humanidade cometidos no Iraque.
Soldados norte-americanos capturaram Saddam em dezembro e o mantêm preso em um local secreto no Iraque. A promotoria quer provar que o ex-ditador iraquiano ordenou atrocidades como o ataque com armas químicas contra os curdos, em 1988, e a repressão ao levante xiita e curdo ocorrido em 1991.
Depois da derrubada de Saddam do poder, muitos iraquianos descobriram entes queridos em dezenas de valas comuns. As famílias das vítimas montaram grupos para pedir por justiça. Mas ligar diretamente Saddam aos casos de tortura e assassinatos ocorridos no país pode não ser fácil.
O novo primeiro-ministro interino do Iraque, Iyad Allawi, que sobreviveu, no exílio, a uma tentativa de assassinato realizada por agentes de Saddam, falou na semana passada, em um pronunciamento divulgado pela TV, sobre a necessidade de punir o ex-dirigente e os assessores dele.