Um juiz iraquiano interrogou Saddam Hussein sobre o assassinato de dezenas de xiitas de uma aldeia onde o ex-ditador havia sido vítima de um atentado em 1982, disse o tribunal especial do Iraque nesta segunda-feira.
A corte também divulgou um vídeo em que Saddam e outros membros de seu regime são ouvidos pelo juiz Raad Jouhi. Um porta-voz judicial disse que o interrogatório ocorreu neste domingo.
O massacre de Dujail é um incidente relativamente pouco importante entre os crimes pelos quais Saddam é acusado, mas especula-se que esse caso pode servir de teste para os demais processos contra ele.
Fontes do governo dizem que gostariam de levar Saddam a julgamento nos próximos meses, antes da realização de novas eleições no país. Fontes judiciais dizem que não há prazos previstos.
Um porta-voz do governo eleito, dominado por xiitas e curdos, disse neste mês que as autoridades esperam um julgamento rápido e a pena de morte para Saddam, e que, portanto, não é necessário reunir provas para todas as acusações de direitos humanos e crimes contra a humanidade.
Há especulações de que seria mais fácil para os promotores reunir provas do envolvimento pessoal direto de Saddam com o massacre de Dujail do que a respeito de acusações mais relevantes.
Uma fonte do governo disse que dois dos cinco réus atuais do caso Dujail - Barzan Al Tikriti, que é meio-irmão de Saddam, e o ex-vice-presidente Taha Yassin Ramadan - estão prontos para dizerem ao tribunal que Saddam ordenou pessoalmente os assassinatos dos xiitas.
A acusação dirá que mais de cem execuções foram realizadas em represália pelo atentado ocorrido à passagem da comitiva de Saddam pela aldeia ao norte de Bagdá, em julho de 1982.
As plantações de tâmaras da aldeia foram destruídas, e centenas de moradores foram forçosamente deslocados para o sul do Iraque depois do incidente.
O tribunal também divulgou uma lista de quatro pessoas que foram interrogadas sobre a repressão ocorrida em 1988 contra os curdos, quando 5.000 pessoas morreram vítimas de gases tóxicos usados pelo governo contra civis em Halabja.