Tribunal de Haia emite ordem de prisão contra Gaddafi
Por Nick Carey
TRÍPOLI (Reuters) - O Tribunal Penal Internacional emitiu nesta segunda-feira uma ordem de prisão contra o líder líbio, Muammar Gaddafi, e rebeldes que lutam para derrubá-lo do poder disseram ter avançado para 80 quilômetros da capital Trípoli.
A corte sediada em Haia aprovou mandados de prisão contra Gaddafi, seu filho Saif al-Islam e o chefe da inteligência líbia, Abdullah al-Senussi, por acusações de crimes contra a humanidade. Promotores do TPI alegam que os três estiveram envolvidos na morte de manifestantes que se revoltaram em fevereiro contra o governo de Gaddafi, que está há 41 anos no poder.
A decisão do TPI foi saudada com festejos em Benghazi, a capital dos rebeldes. Pessoas tocaram buzinas de carros, agitaram bandeiras, dispararam tiros no ar e fizeram gestos de vitória nas ruas.
Gaddafi exerce "controle absoluto, final e não questionado" sobre o aparelho de Estado e as forças de segurança da Líbia", disse a juíza Sani Mmasenono Monageng, do TPI, ao fazer a leitura da decisão.
Ela acrescentou que Gaddafi e Saif al-Islam "conceberam e orquestraram um plano para deter e sufocar por todos os meios as manifestações civis" contra o regime, e que al-Senussi usou sua posição de comando para fazer com que os ataques fossem implementados.
O governo de Gaddafi nega ter atacado civis, dizendo que foi forçado a agir contra gangues criminosas armadas e militantes da Al Qaeda.
Rebeldes anti-Gaddafi na região dos Montes Ocidentais, a sudoeste de Trípoli, fizeram seu maior avanço em semanas, chegando à cidade de Bir al-Ghanam, onde agora estão combatendo forças pró-Gaddafi pelo controle da cidade, disse o porta-voz deles.
O avanço os levou para 30 quilômetros ao norte de sua posição anterior e mais perto de Trípoli, a base de poder de Gaddafi.
"Estamos nos arredores do sul e oeste de Bir al-Ghanam", disse pelo telefone Juma Ibrahim, um porta-voz rebelde na cidade vizinha de Zintan.
"Houve batalhas ali durante a maior parte do dia de ontem. Alguns de nossos combatentes morreram, as forças do governo também sofreram baixas, e capturamos equipamentos e veículos. A situação ali é de calma hoje, e os rebeldes ainda estão em suas posições."
Um repórter da Reuters no centro de Trípoli ouviu pelo menos duas explosões grandes no domingo. Não ficou claro onde teriam ocorrido. Uma nuvem de fumaça pôde ser vista elevando-se da direção do complexo Bab al-Aziziyah, de Gaddafi.
A administração de Gaddafi não reagiu imediatamente à decisão do TPI. No domingo o porta-voz governamental Moussa Ibrahim disse que o tribunal aplica dois pesos e duas medidas e segue uma agenda política ocidental.
O premiê chinês, Wen Jiabao, disse que a China vem mantendo contato com os dois lados no conflito líbio.
"Esperamos que a questão da Líbia seja resolvida por meios políticos pacíficos, para reduzir os danos humanitários, em especial os danos a civis inocentes", disse Wen, falando com a ajuda de tradutor durante coletiva de imprensa concedida com o primeiro-ministro britânico, David Cameron.
(Reportagem adicional de Joseph Nasr em Berlim, Tarek Amara em Túnis, Hamid Ould Ahmed em Argel, Maria Golovnina em Benghazi, Sherine El Madany no Cairo e Aaron Gray-Block em Haia)
Reuters