Tribunal de Haia condena ex-chefe do Exército sérvio
Por Ivana Sekularac
HAIA (Reuters) - O tribunal da ONU para crimes de guerra da antiga Iugoslávia sentenciou na terça-feira o ex-comandante do Exército da Sérvia Momcilo Perisic a 27 anos de prisão por homicídio, perseguição e ataques a civis na Bósnia e na Croácia nos anos 1990.
Perisic, 67, foi considerado culpado por ajudar as tropas sérvias a planejarem e executarem crimes de guerra, incluindo o assassinato de 8.000 homens e meninos muçulmanos em Srebrenica, e pelo cerco de 42 meses a Sarajevo. Ele também foi condenado por fornecer apoio logístico e financeiro aos sérvios na Bósnia e na Croácia.
Perisic é o primeiro oficial de Belgrado a ser condenado pelo papel da Sérvia nas guerras da Bósnia e da Croácia - um papel que o governo sérvio nega.
"Momcilo Perisic foi considerado criminalmente responsável pela ajuda e cumplicidade em homicídio, atos desumanos e ataques contra civis e também perseguição por base política, racial e religiosa em Sarajevo e em Srebrenica", disse o juiz Bakone Justice Moloto.
O juiz afirmou que o julgamento entendeu que Perisic supervisionou a ajuda logística aos sérvios na Bósnia e Croácia, incluindo "uma vasta quantidade de munição de artilharia e infantaria, combustível, treinamento e assistência técnica".
O tribunal também considerou Perisic responsável pelo comando de atacar a capital croata, Zagreb, em 1995.
O ministro da Defesa da Sérvia, Dragan Sutanovac, disse que a sentença era "muito grave".
"Certamente ela abre antigas feridas. Não importa o quanto tentemos trabalhar pela reconciliação, notícias como esta nos levam de volta ao passado, criam certos problemas e nos deixam doentes", disse Sutanovak.
Perisic manteve o general servo-bósnio Ratko Mladic na lista de pagamento do Exército iugoslavo, e assinou pessoalmente a promoção de Mladic ao posto de coronel em 1994.
Mladic foi indiciado por genocídio pelo tribunal da ex-Iugoslávia e preso em maio deste ano.
Mas o tribunal não encontrou provas de que Perisic tivesse autoridade sobre Mladic, apesar de todo o apoio dado.
"Embora o general Perisic tenha tido uma relação colaboracionista com Mladic e o tenha ajudado substancialmente em suas operações, a prova não estabelece que ele tenha exercido controle efetivo sobre ele", disse o juiz Moloto.
Perisic foi comandante do Estado-maior - chefe do Exército iugoslavo - de 1993 a 1998, quando ele bateu de frente com Slobodan Milosevic sobre a política do governo em Kosovo, que provocou o bombardeio da Otan ao país.
Milosevic, que foi julgado no tribunal de Haia para crimes de guerra na Bósnia e na Croácia, entre outras coisas, morreu na prisão antes de o julgamento terminar.
(Reportagem adicional de Maja Zuvela em Sarajevo, Aleksandar Vasovic em Belgrado, e Zoran Radosavljevic em Zagreb)
Reuters