Um albanês de Kosovo foi a julgamento na segunda-feira pela acusação de ter intimidado testemunhas, no primeiro caso deste tipo examinado pelo tribunal de guerra de Haia.
As acusações contra Beqa Beqaj são relativas ao caso contra Isak Musliu, acusado de ser o comandante de um campo de prisioneiros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), onde alguns detentos foram torturados.
Beqaj pode ser condenado a sete anos de prisão. Ele foi indiciado secretamente no ano passado e transferido para a custódia do tribunal depois de ser detido pelas forças da ONU em Kosovo.
Em sua primeira aparição no tribunal, em novembro, ele se disse inocente, posição que manteve nesta segunda-feira.
"É tudo mentira", disse ele. "Estou preso no mesmo espaço que os sérvios. Não vejo qualquer justiça aqui."
Beqaj é acusado de ter intimidado ou oferecido suborno a testemunhas em casos contra Fatmir Limaj, Haradin Bala e Isak Musliu.
Os três são acusados de comandarem soldados e guardas do ELK no campo de prisioneiros de Lapusnik, durante a ação da guerrilha contra o governo da então Iugoslávia, entre 1998 e 1999.
O tribunal diz que o campo de Lapusnik abrigava civis sérvios e albaneses acusados de colaborar com Belgrado. Alguns deles teriam sido agredidos e torturados.
A ONU assumiu o controle de província de Kosovo em junho de 1999, depois de a Otan bombardear a Sérvia durante 78 dias para pressionar o então ditador Slobodan Milosevic a retirar suas tropas da região, que tem população majoritariamente albanesa.