O Tribunal Supremo do Afeganistão decidiu, neste domingo, interromper o julgamento de um afegão convertido ao cristianismo, que segundo a lei islâmica poderia ser condenado à pena de morte, abrindo assim a possibilidade de uma eventual libertação por "incapacidade mental".
- Pessoas próximas a Abdul Rahman afirmam que ele não está no controle de suas capacidades mentais, que está louco e ouve vozes estranhas em sua cabeça. Enviamos seu caso ao promotor-geral para que realize uma investigação exaustiva - declarou o porta-voz do Tribunal Supremo, Wakil Omari.
O Tribunal Supremo afegão decidiu suspender o processo de Rahman, de 41 anos, detido há três semanas em Cabul por apostasia (abandono da fé) do Islã, um ato que segundo a sharia (lei islâmica) merece a pena capital. O promotor-geral de Cabul terá de decidir, uma vez concluída a investigação, se envia o caso para um tribunal ou se retira as acusações e liberta o acusado, precisou Omari.
Apelo
O papa Bento 16 pediu, no sábado, ao governo afegão que conceda a graça ao réu convertido ao cristianismo. No Angelus deste domingo, ele manifestou sua solidariedade com os cristãos "perseguidos por sua fé" e os que vivem em países onde "não existe liberdade religiosa". Vários responsáveis governamentais afegãos se manifestaram nos últimos dias a favor da libertação de Rahman.
O caso provocou uma onda de indignação nos países ocidentais que financiam o governo afegão e a reconstrução do país e, em particular, nos Estados Unidos, principal apoio financeiro e militar do presidente afegão, Hamid Karzai, que está numa situação difícil. Por um lado, Karzai é criticado pelos ocidentais, que lhe pedem o respeito à liberdade de culto; por outro, é criticado pelos círculos religiosos conservadores afegãos, que querem o respeito à lei da sharia e, portanto, sua execução.
Rahman se converteu ao cristianismo há 16 anos, quando trabalhava para uma ONG cristã no Paquistão. Depois, viveu nove anos na Alemanha, antes de regressar a seu país em 2005.