Rio de Janeiro, 21 de Janeiro de 2026

Três presos na Operação Furacão negam acusações

Segunda, 30 de Abril de 2007 às 18:14, por: CdB

Mais três acusados de formação de quadrilha e corrupção presos durante a Operação Furacão, da Polícia Federal, negaram nesta segunda-feira qualquer envolvimento com o esquema de propinas para conseguir decisões favoráveis da Justiça em relação a casas de bingos e ao funcionamento de máquinas caça-níqueis.

Belmiro Martins Ferreira, Licínio Soares Bastos e Laurentino Freire dos Santos prestaram depoimento na tarde desta segunda-feira na 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

O primeiro a ser ouvido pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho foi Belmiro Martins Ferreira, sócio de uma empresa que aluga máquinas para casas de jogos. Ele é acusado de oferecer R$ 1 milhão a um desembargador pela liberação de 900 máquinas caça-níqueis que haviam sido apreendidas na operação.

Os outros dois suspeitos, Licínio Soares Bastos e Laurentino Freire dos Santos, foram ouvidos na seqüência. Eles são donos de uma casa de bingo em Niterói, região metropolitana do Rio, onde estavam as máquinas recuperadas por força de uma liminar.

Belmiro afirmou que sua empresa, a Betec Games, que importa e fornece equipamentos eletrônicos para máquinas de bingos, compra programas que não podem ser alterados. Ele disse também que é responsável pela parte financeira da firma, cujo escritório funciona em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e que seu irmão, também acusado e preso, José Renato Granado Ferreira, é que era encarregado das questões jurídicas.
 
Esclareceu ainda que a Betec possui cerca de mil máquinas, contando as que estão operando e as paradas. Que cada máquina custa em torno de R$ 2 mil a R$ 3 mil e que antes da Betec era comerciante e teve loja em vários ramos, sempre em Nova Iguaçu (RJ). Acrescentou que já trabalhou no ramo de calçados, roupas e lanchonete.

Licínio Soares Bastos disse em seu depoimento que já teve relação com casas de bingo até 2002, quando era procurador de uma firma americana que investia no Bingo Icaraí. Mas, quando o bingo foi fechado, em final de 2002, se afastou do ramo.
 
Contou, no entanto, que é sócio de Laurentino em hotéis desde 1983, citando, entre eles, os motéis Champion e L'Amour, ambos no Rio. Disse ainda que nunca patrocinou campanhas eleitorais e que não conhece os policiais citados na investigação.
 
Laurentino disse à juíza que foi dono dos bingos Icaraí, em Niterói, Região Metropolitana, e Bora Bingo, em Bonsucesso, subúrbio do Rio, e que seu ramo principal é o de hotelaria. Esclareceu, porém, que deixou os negócios com bingos desde 2002.

Depois de depor, eles foram levados ao Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar, onde cumprem prisão preventiva desde a última quinta-feira, quando foram de transferidos de Brasília para o Rio de Janeiro.

Segundo a Justiça Federal, os presos ouvidos nesta segunda atuavam na organização criminosa desbaratada pela Operação Furacão como operadores das decisões tomadas pelos chefes do esquema. Beneficiários diretos da rede de corrupção montadas com ajuda de agentes públicos, eles contribuíam para o esquema com o dinheiro obtido a partir da exploração  de jogos de azar.

Desde a semana passada até agora, foram ouvidos nove dos acusados no processo aberto em decorrência da Operação Furacão. Um dos acusados se recusou a falar e os outros oito se declararam inocentes. Outros 11 investigados vão depor até o próximo dia 7 de maio. Na próxima quarta-feira, será a vez de José Luiz da Costa, Ana Cláudia Rodrigues do Espírito Santo e Jaime Garcia Dias.

O primeiro é gerente da mesma casa de bingos cujos donos depuseram nesta segunda-feira. A segunda é secretária da Associação de Bingos do Estado do Rio de Janeiro (Aberj) e está sendo acusada de auxiliar no repasse mensal de propina destinada aos funcionários públicos que foram cooptados pela organização criminosa.

Jaime Garcia Dias é apontado como lobista e um dos principais articuladores entre os interesses

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