Três pessoas morreram e outras duas ficaram feridas quando um grupo de homens armados atirou contra uma procissão de Sexta-feira Santa na vila de Dolores, cerca de 200 km a sudeste de Bogotá. Misturados aos fiéis, os criminosos trocaram tiros durante 20 minutos com membros do Exército e da Polícia, encarregados da segurança do ato religioso. A prefeita, Mercedes Ibarra, acusou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pelo atentado. De acordo com ela, cerca de 600 guerrilheiros vivem nas proximidades do povoado, localizado no estado de Tolima (região central da Colômbia). "Os 'violentos' não respeitaram o feriado santo e dispararam sem medir conseqüências", afirmou Mercedes, que figura na lista de mais de 200 prefeitos que, desde o ano passado, vêm sendo ameaçados pelas Farc e se negam a renunciar. Via Sacra "Eles dizem que vão reduzir Dolores a cinzas. Mas a Polícia e o Exército estão aqui para nos defender." Segundo o coronel Wilson Prada, comandante da Polícia de Dolores, os primeiros disparos foram ouvidos quando os fiéis se preparavam para iniciar a encenação do caminho de Jesus pela Via Sacra. Ele disse que os guerrilheiros estavam vestidos com roupas de civis e dispararam das quatro esquinas do povoado. "As pessoas começaram a fugir desesperadas, abandonando as imagens dos santos nas ruas", lembrou o policial. "Ninguém sabia o que estava acontecendo. Muitos se esconderam na igreja e em casas vizinhas. A confusão foi tão grande que Dolores se transformou num campo de batalha". Entre os mortos, está um menino de 14 anos e um policial. Um dos feridos é o sobrinho da prefeita, Oscar Ibarra, de dez anos. Ofensiva Esse atentado, do qual as Farc são os principais suspeitos, ocorre três dias depois do presidente Álvaro Uribe ter anunciado o início de uma nova ofensiva militar contra o grupo guerrilheiro. Na última terça-feira, depois de repudiar uma proposta de negociar a liberação de seqüestrados pelas Farc em troca de guerrilheiros presos, Uribe advertiu aos rebeldes. "Acabou a longa vida de contemplação, porque, com este governo, chegou a hora da derrota total", disse o presidente. A prefeita Mercedes, que participava da procissão, também culpou o governador de Tolima, Guillermo Alfonso Jaramillo, por esse atentado e pela difícil situação enfrentada por Dolores, atacada em outras duas ocasiões pela guerrilha. De acordo com ela, o governador vê apenas os paramilitares, mas não faz nada para diminuir a presença guerrilheira em Dolores. "Irresponsáveis" Jaramillo, no entanto, acusou a prefeita e a igreja de irresponsáveis. De acordo com ele, a realização de um ato público como esse não deveria ser autorizado, já que Dolores sofre constantemente com a ameaça de grupos guerrilheiros e paramilitares. "Esse tipo de situação em que a guerrilha se infiltra entre a população civil é lamentável", assinalou. "Mas incidentes como esse são extremamente difíceis de prever e controlar". Segundo o governador, Dolores é o município de Tolima, localizado na região central da Colômbia, que mais conta com a presença de forças de segurança. "Um grupo formado por soldados do Exército e mais de 30 policiais vigiam a cidade 24 horas por dia devido à situação de perigo", afirmou Jaramillo, que considerou injusto ser acusado por esse atentado. "O povoado estava cheio de turistas, que vieram comemorar a Semana Santa e foram obrigados a enfrentar a ferocidade da guerrilha", assinalou a prefeita, que administra a Prefeitura à distância, em uma das sedes da Polícia. "Estou pensando em usar armas, porque não quero abandonar a cidade, ou entregá-la aos 'violentos'." Segundo o coronel Wilson Prada, a situação foi totalmente controlada pela Polícia uma hora depois do incidente, quando foi dada continuidade à procissão.
Três pessoas morrem em ataque à procissão na Colômbia
Sábado, 19 de Abril de 2003 às 07:27, por: CdB