Três pessoas morreram, até agora, em razão da água contaminada por dejetos em Nova Orleans, segundo nota divulgada na tarde desta quarta-feira pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. As ruas ainda estão inundadas e a água tende a apodrecer nos próximos dias, o que poderá representar um nível maior de infecção de quem resiste a sair da cidade, diz a nota. O atual estágio de contaminação, porém, não representa uma epidemia.
Inicialmente, o centro havia informado que cinco pessoas tinham morrido, mas a diretora do órgão Julie Gerberding disse que três pessoas morreram e uma estava doente por causa da contaminação da água.
- Há um no Texas e três ou quatro no Estado do Mississippi que foram confirmados pelos autoridades de saúde e dos governos e informados a nós - disse Tom Skinner, porta-voz do centro. Muitas vítimas do furacão provenientes da Lousiana foram removidas para cidades do Texas. Os pacientes estavam infectados com uma bactéria chamada "vibrio vulnificus", relacionada à bactéria que causa cólera e normalmente encontrado no golfo do México.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos não confirmou a causa das mortes, mas afirmou que se apoiava nos informes das autoridades sanitárias estaduais.
- Isso não representa uma epidemia. Não é transmitido de pessoa a pessoa. Pessoas que estão com sua imunidade comprometida podem desenvolver muitas doenças de bactérias como essa. Nós observamos casos de tempos em tempos por todo o litoral do Golfo do México - reforçou a diretora do Centro.
Contato perigoso
A Agência de Proteção do Ambiente dos EUA confirmou, nesta quarta-feira, o alto nível de contaminação da água de Nova Orleans e pediu às pessoas que não se aproximem de jeito nenhum da água. Ainda segundo a Agência, 60% da cidade continua invadida pelas enchentes que devastaram a região após o furacão Katrina.
- O contato com a água deve ser evitado ao máximo. Os níveis de bactérias escherichia coli [presentes nas fezes humanas e de animais] na água são muitos superiores aos recomendados pela agência - disse Stephen L. Johnson, diretor da Agência. Nos primeiros testes foram encontrados elevadas quantidades de chumbo, um risco principalmente para crianças.
Os moradores têm sido alertados desde a chegada do Katrina a não beber a água da região. Testes da Agência de Proteção do Ambiente demonstram que o contato com a pele também pode ser perigoso.