O acidente nas obras da futura estação Pinheiros do Metrô, que matou sete pessoas em 12 de janeiro deste ano, completa três meses nesta quarta-feira. Passado um trimestre, as causas do acidente permanecem desconhecidas e cerca de 100 das 193 pessoas desalojadas continuam morando em hotéis. Apenas 24 dos 94 imóveis interditados foram liberados pela subprefeitura de Pinheiros.
De acordo com os dados da subprefeitura, seis imóveis foram demolidos e 11 estão condenados. Outros 17 sofreram danos considerados graves, 31 ainda passam por estudo, e cinco terrenos não tinham nenhuma construção à época do acidente.
Entre os representados pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, 32 famílias fizeram acordos de indenização com o Consórcio Via Amarela, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS, Camargo Correa e Andrade Gutierrez e responsável pelas obras.
Os inquilinos e proprietários beneficiados moravam nas ruas Capri, Gilberto Sabino e Conselheiro Pereira Pinto. Além destes, todos os parentes das sete vítimas do acidente fizeram acordos de indenização.
As obras na região foram retomadas na última segunda-feira, após a assinatura de um termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público de São Paulo, o Metrô, o Consórcio Via Amarela, o Instituto de Criminalística da Polícia Civil, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Polícia Civil do Estado.
A obra tem como objetivo a coleta de material para perícia e a garantia da segurança dos peritos que trabalham no local. Ainda há um embargo da Delegacia Regional do trabalho (DRT) à obra, mas o órgão garante procedimentos para investigação do acidente e segurança do local. O cronograma de obras prevê que a coleta de material deverá terminar em outubro, e o IPT deverá levar pelo menos um mês para apresentar um laudo sobre as causas do acidente.
Na Assembléia Legislativa, deputados de oposição ainda tentam instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as obras da linha 4. Na semana que vem, eles devem ir a estações de Metrô para recolher assinaturas da população.