O Oriente Médio está à beira de três guerras civis: Uma no Iraque, em andamento, outra nos territórios palestinos e uma terceira, no Líbano, caso não haja ações incisivas urgentes da comunidade internacional, alertou o rei Abdullah, da Jordânia, segundo o diário Jordan Times, de Amã. Presidente dos EUA, George W. Bush reúne-se, esta semana, com o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki. Abdullah, anfitrião do encontro, disse que "algo dramático" deve ocorrer na reunião para evitar que a violência fique ainda mais descontrolada no Iraque.
- Não acho que estejamos em posição de voltar e revisitar o problema no começo de 2007 - disse ele à rede norte-americana ABC.
Mas ele aconselha os EUA a analisarem o quadro de forma mais ampla e buscar soluções abrangentes para o Oriente Médio, que envolvam todos os atores regionais, o que incluiria também Síria e Irã.
- Poderíamos imaginar entrar em 2007 tendo três guerras civis em nossas mãos. E, portanto, é hora de realmente darmos um importante passo à frente...e garantir que livremos o Oriente Médio da tremenda crise que temos - afirmou.
No Iraque, a guerra civil já é praticamente uma realidade, e com isso o governo Bush busca ajuda de governos árabes moderados, como a própria Jordânia. O vice-presidente Dick Cheney acaba de voltar de uma visita à Arábia Saudita, por exemplo. Abdullah disse que Bush e Maliki precisam encontrar imediatamente formas de incluir todas as facções iraquianas no processo político.
- Como estamos vendo, as coisas estão começando a escapar do controle, é preciso haver alguma ação muito forte no terreno hoje - afirmou.
O rei disse que a situação no Líbano pode se complicar novamente, depois do recente assassinato de um ministro anti-Síria, mas que o conflito entre palestinos e israelenses continua sendo "o núcleo emocional" do Oriente Médio. A Jordânia tem a maior população palestina fora da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Ele afirmou que se um processo de paz regional não ocorrer em breve "não haverá nada sobre o que falar" e o Oriente Médio enfrentará mais uma ou duas décadas de violência.
Em outra entrevista, um assessor de segurança do Iraque disse que o país já é um campo de batalha de toda a região, pois movimentos islâmicos de vários países árabes financiam os insurgentes que combatem o governo iraquiano e a ocupação norte-americana.
- Não é um país (envolvido). Não são dois países. É mais do que isso. Esta é uma luta, ou uma guerra, entre extremistas e moderados de toda a região - disse Mowaffak al-Rubaie à CNN.
Ele acrescentou que o Irã está "ajudando alguns dos grupos extremistas xiitas no Iraque", mas que não há provas de colaboração entre Teerã e a Al Qaeda.